Às vésperas do Mundial, lojas registram alta demanda pelo uniforme; especialista vê busca por pertencimento e resgate do símbolo nacional Vendedores preveem antecipar metas de vendas se Brasil avançar — Foto: Domingos Peixoto/Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 09/06/2026 - 22:44 Alta demanda esgota camisas da Seleção às vésperas da Copa Às vésperas da Copa do Mundo, a camisa da Seleção Brasileira está em falta nas lojas devido à alta demanda. Especialistas apontam que o interesse crescente reflete um desejo de pertencimento e resgate do símbolo nacional, especialmente após anos de polarização política. As vendas têm superado expectativas, com consumidores dispostos a pagar preços elevados por autêntica conexão emocional. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Quem deixou para comprar a camisa da Seleção Brasileira perto da Copa do Mundo já começa a encontrar dificuldades. Em lojas físicas e virtuais, alguns modelos e tamanhos estão cada vez mais escassos, refletindo uma demanda acima do esperado às vésperas do torneio. Na Centauro do Norte Shopping, na Zona Norte do Rio, a falta da tradicional camisa amarela chama atenção. Manequins que antes exibiam o uniforme principal agora vestem a versão azul, que também já apresenta oferta reduzida. Segundo funcionários da loja, é constante a procura de clientes pelo produto. Uma delas é a contadora Izayne Oliveira, de 36 anos. Em busca de uma camisa para torcer durante a Copa, ela percorreu diversas lojas do shopping, mas saiu de mãos vazias. — Fui a todas as lojas desse shopping e não encontrei uma no meu tamanho — conta. Sem a camisa amarela no estoque, loja exibe a versão em azul: modelos podem custar até R$ 749,99 — Foto: Domingos Peixoto/Agência O Globo A alta procura também tem sido percebida pelos vendedores. Na loja Futtebol, também no Norte Shopping, Kaike Vasconcellos afirma que ele e outros dois colegas superaram as metas de vendas na última semana impulsionados pela busca por artigos da Seleção. — Quanto mais o Brasil avançar na Copa, mais estaremos vendendo. Se a gente chegar numa semifinal ou até a final, aí "esquece", vamos vender tudo — diz. 'Marcador emocional' O modelo oficial dos jogadores, nas versões masculina ou feminina, sai por R$ 749,99. A versão torcedor e a de goleiro custam R$ 449,99, cada. O modelo infantil, para crianças de 3 a 7 anos, é vendido a R$ 349,99. Para Karine Karam, professora de comportamento do consumo da ESPM e sócia da Markka Pesquisas, a proximidade da Copa desperta nos consumidores uma busca por símbolos de pertencimento e participação coletiva. — A camisa deixa de ser apenas um produto esportivo e passa a funcionar como um marcador social e emocional. Ela permite que as pessoas demonstrem publicamente sua conexão com o evento — afirma. Segundo a especialista, o uniforme também carrega um valor simbólico que ajuda a explicar por que consumidores estão dispostos a pagar preços elevados pelo produto. — O consumidor não compra apenas uma peça de vestuário. Ele adquire autenticidade, pertencimento e conexão emocional com um momento considerado especial — diz. Um levantamento da XP Investimentos reforça a percepção observada nas lojas. Segundo a corretora, a disponibilidade das camisas da Seleção diminuiu em diferentes canais de venda, atingindo tanto versões mais acessíveis quanto modelos premium. Em alguns casos, os tamanhos mais procurados já aparecem esgotados. Para Karine, a demanda também pode estar ligada a uma mudança na forma como os brasileiros enxergam o uniforme da Seleção após os anos de polarização política. — O que observamos é um movimento gradual de ressignificação. Muitas pessoas voltam a enxergar a camisa prioritariamente como um símbolo ligado ao esporte, à cultura brasileira e à experiência coletiva de torcer pelo país — afirma. A avaliação da XP é que o ritmo das vendas pode impulsionar os resultados do Grupo SBF, controlador da Centauro, da Netshoes e da Fisia, distribuidora oficial da Nike no Brasil. A corretora estima que a companhia adquiriu 850 mil camisas para a Copa deste ano, 31% mais do que na edição anterior do torneio. *Estagiária sob supervisão de Alexandre Rodrigues.