O governo britânico está realizando uma revisão completa do contrato do National Health Service (NHS) com a empresa americana de análise de dados Palantir, em meio a uma crescente pressão política para que o governo utilize uma cláusula de rescisão ao final do prazo inicial, previsto para o início de 2027. A ministra da Tecnologia, Liz Kendall, declarou nesta terça-feira (9) que a revisão avaliará a possibilidade de estender o acordo de 330 milhões de libras, o que permitiria ao governo mantê-lo por até sete anos, ou encerrá-lo definitivamente. “O atual secretário de Saúde está revisando cada aspecto desse contrato para garantir que consigamos o acordo certo para o Reino Unido”, afirmou Kendall à Times Radio, mencionando preocupações sobre a confidencialidade dos pacientes, a confiança pública e a dependência de um fornecedor dos Estados Unidos. Críticas Parlamentares e Éticas O contrato, firmado em 2023 para criar uma plataforma que integra dados do NHS, tem enfrentado críticas severas. Na última semana, um comitê parlamentar instou os ministros a acionarem a cláusula de rescisão, alertando que o papel da Palantir representa um “ponto inaceitável de fragilidade” e destacando os riscos de depender de um pequeno número de empresas de tecnologia americanas. Embora o comitê tenha reconhecido benefícios relatados por funcionários em áreas como a gestão de listas de espera e planejamento de alta hospitalar, os parlamentares apontaram que o papel crescente da empresa no setor público gera preocupações sobre a dependência de fornecedores estrangeiros e a resiliência de serviços críticos. O acordo também é alvo de escrutínio devido ao fato de a Palantir fornecer software para as forças militares e autoridades de imigração dos Estados Unidos, além de críticas voltadas às visões políticas de seu bilionário cofundador, Peter Thiel, um dos primeiros apoiadores do presidente americano, Donald Trump. Além disso, ativistas e sindicatos têm manifestado preocupações sobre o manejo de dados sensíveis de saúde. No mês passado, o Financial Times reportou que autoridades do NHS teriam proposto conceder a funcionários externos, incluindo pessoal da Palantir, amplo acesso administrativo a dados identificáveis de pacientes em partes do sistema. Em sua defesa, a Palantir tem reiterado que seu software ajuda a melhorar o atendimento ao paciente e a eficiência em todo o NHS. Nem a empresa nem o NHS Inglaterra responderam prontamente aos pedidos de comentários. Em um movimento paralelo que reforça o debate sobre o uso da tecnologia da empresa no setor público, o prefeito de Londres, Sadiq Khan, bloqueou no mês passado um contrato policial de 50 milhões de libras com a Palantir, citando dúvidas sobre o custo-benefício e questionando se a ética das empresas deveria ser um fator determinante nas licitações públicas. — Foto: Bloomberg
Reino Unido revisa contrato milionário de saúde com a Palantir sob pressão política
Contrato, firmado em 2023 para criar uma plataforma que integra dados do National Health Service, tem enfrentado críticas severas de parlamentares e escrutínio devido à relação da empresa com militares e autoridade de imigração dos EUA









