Leio os jornais ingleses numa minudência clínica, de estetoscópio na mão não à procura de esperança, mas para perceber se o paciente ainda respira. E o Partido Trabalhista, este Partido Trabalhista de Keir Starmer, é o paciente.Andy Burnham decidiu regressar ao Parlamento e o impulso é compreensível. Há políticos incapazes de ficar à margem de um incêndio e querem entrar no edifício em chamas convencidos de poderem ainda salvar os móveis. Mas Makerfield não é apenas uma eleição. É um referendo.Os jornais descrevem Burnham como a possível salvação dos Trabalhistas, um homem capaz de reconquistar o norte perdido, as cidades industriais abandonadas, os eleitores fugidos para o Reform UK como quem foge de uma igreja onde já ninguém tem fé.Infelizmente, esta corrida não é apenas política e Burnham parte com atraso. Porque da janela do autocarro vejo os rostos cansados de Croydon, Wigan e Rochdale, operários reformados, mulheres com sacos dos bancos alimentares, rapazes a trabalhar doze horas por dia em armazéns mal alumiados, e nos seus olhares a mesma desilusão aquando do Brexit.Um referendo nem por isso sobre a Europa, mas sobre décadas a ouvir promessas enquanto os salários encolhem, os hospitais esboroam-se, as rendas disparam e os empregos passam a trabalhos temporários em aplicações de entregas ao domicílio.
Porta-aviões ao fundo: o fim dos Trabalhistas em Makerfield?
Andy Burnham decidiu regressar ao Parlamento e o impulso é compreensível. Há políticos incapazes de ficar à margem de um incêndio.







