A Sony lança nesta quinta-feira uma nova versão topo de linha do seu smartphone Xperia, adicionando recursos de câmera com inteligência artificial, numa tentativa de se recuperar dos problemas de energia que afetaram seu antecessor. No mercado de smartphones, que tem apresentado um ritmo mais lento de avanços tecnológicos e ciclos de substituição mais longos, a Sony tem enfrentado dificuldades há anos em comparação com marcas globais poderosas como Apple e Samsung Electronics. A Apple detinha cerca de metade do mercado japonês com base em remessas em 2025, segundo o Instituto de Pesquisa MM do Japão. A Sony ficou em sétimo lugar, atrás de Google, Samsung, Sharp, FCNT (com apoio chinês) e Oppo (também da China). Um defeito de fabricação no Xperia 1 VII do ano passado, que fazia com que os telefones desligassem ou reiniciassem repentinamente, representou um golpe devastador. A Sony suspendeu as vendas por dois meses enquanto investigava o problema e realizava um recall. A divisão de smartphones teria sido tomada por um sentimento de crise na época, com pessoas temendo que, se não agissem rapidamente, a linha Xperia estaria com os dias contados. Embora o Grupo Sony continue a desfrutar de lucros recordes, o negócio de smartphones enfrenta rumores persistentes de estar à beira do colapso. À medida que o mercado se torna mais homogêneo e as economias de escala se tornam cruciais, aumentar os lucros estando relegado a uma posição inferior em termos de vendas é difícil. Ainda assim, a Sony manteve-se firme, afirmando que os smartphones são um conjunto de tecnologias de comunicação e importantes como plataforma de desenvolvimento para câmeras e dispositivos de próxima geração. Quando a Sony decidiu, em janeiro, transformar sua divisão de TVs em uma joint venture com o Grupo TCL da China, colocando-a efetivamente sob o controle da TCL, o mercado especulou que os smartphones poderiam ser os próximos. Nesse cenário turbulento, a Sony reavaliou fundamentalmente o público-alvo do Xperia para o modelo de 2026. A empresa revisou sua definição de criadores, a principal base de clientes do Xperia, expandindo-a para incluir não apenas profissionais e amadores avançados, mas também consumidores em geral que publicam fotos em redes sociais. Uma característica fundamental dessa mudança é a função de assistente de IA da câmera, que sugere ajustes ideais de cor e foco dependendo do assunto e da cena, permitindo que os usuários escolham configurações como "uma imagem colorida e vibrante" ou "uma imagem coesa e elegante". Os concorrentes costumam usar IA para corrigir fotos e funções de zoom após o disparo. A linha iPhone já vem com recursos que corrigem automaticamente o brilho e a cor. O Google permite zoom de mais de 100x em alguns modelos usando processamento de imagem por IA. "Queríamos possibilitar que até mesmo pessoas com conhecimento limitado tirassem fotos com qualidade profissional", disse Hitoshi Osawa, executivo da Sony. A estratégia parece estar funcionando. Em Taiwan e Hong Kong, onde o modelo foi lançado antes do Japão, as vendas aumentaram 30% em comparação com o modelo anterior, e as pré-encomendas na Europa também aumentaram 30%. "Estamos quebrando a barreira do iPhone, especialmente entre os jovens", disse Osawa.