Genes associados à resistência a antibióticos estão presentes em diversas bacias oceânicas, incluindo áreas remotas, segundo resultados divulgados nesta segunda-feira (8) por um projeto de pesquisa liderado pela Itália que analisou amostras de água do mar ao redor do mundo.

O projeto Sea Care ("cuidados com o mar", em tradução) identificou esses genes nos oceanos Mediterrâneo, Atlântico e Ártico, além de outras regiões. As maiores concentrações foram encontradas próximas a rotas marítimas intensamente utilizadas e a áreas costeiras densamente povoadas.

Os achados indicam que os oceanos atuam como um reservatório global da poluição gerada em terra, transportando vestígios genéticos associados ao uso de antibióticos e ao descarte de resíduos urbanos muito além de seus locais de origem. Segundo os pesquisadores, isso pode favorecer a disseminação desses genes até mesmo em comunidades isoladas.

O estudo foi apresentado nesta segunda-feira durante um fórum sobre oceanos e saúde humana realizado em Roma e organizado pelo ISS (Instituto Nacional de Saúde da Itália). Além dos genes de resistência a antibióticos, os cientistas detectaram microplásticos, fragmentos de material genético do SARS-CoV-2 e PFAS —substâncias perfluoroalquiladas e polifluoroalquiladas conhecidas como "químicos eternos"—, mesmo em regiões de oceano aberto e áreas remotas.