A ideia para o ensaio fotográfico veio como um instinto. “Eu moro aqui. Tenho uma câmara em casa. Sou fotógrafo e vou ao Carnaval”, diz Lucas Bori, do Rio de Janeiro. Autor do ensaio De Peito Aberto e Corpo Livre, o carioca sai às ruas no Carnaval há 11 anos munido com a sua câmara digital.

“No montante total, acho que tenho entre 60 e 70 mil fotos”, aproxima. O projecto, que começou em 2015 com algumas poucas fotografias tiradas às festividades de Carnaval da Cidade Maravilhosa, hoje soma incontáveis fotos tiradas por ano e reunidas no portefólio do artista.

Com cores vibrantes e enquadramentos pouco convencionais, Lucas Bori procura “trazer a experiência [do Carnaval] para o espectador como alguém está lá no meio, junto com os blocos”. “Não sou um repórter que foi lá documentar uma coisa”, argumenta. Ao invés disso, captura a festa exactamente pela óptica de um folião.

O fotógrafo tenta “preencher o quadro com o máximo de informação possível, quase como se estivesse espremendo a rua”. Mantendo “o assunto principal sempre em foco”, usa o flash para “trazer essa artificialidade fantasiosa enquanto o enquadramento dá movimento” às imagens. O resultado, afirma, são imagens coloridas e quentes, com “uma plasticidade quase publicitária”.