O regresso de José Mourinho ao Real Madrid é uma questão de horas. Após o triunfo de Florentino Pérez nas eleições de domingo dos “merengues”, é hora de iniciar-se um processo pré-anunciado: o treinador português deixa o Benfica, que recebe 15 milhões de euros pela saída do seu técnico antes do final do contrato, enquanto Mourinho ruma ao Santiago Bernabéu pela segunda vez, onde vai tentar pôr ordem num Real em que reina a confusão e que deixou de ganhar.A presença do Papa na capital espanhola obriga a um pouco mais de demora na formalização do que já se sabe. José Mourinho sai do Benfica para se tornar, novamente, treinador do Real Madrid, depois da sua passagem pelo emblema espanhol entre 2010 e 2013. Mas será uma questão de horas até que tudo seja tornado oficial e Mourinho seja apresentado como o substituto de Álvaro Arbeloa.À sua espera terá um clube em convulsão, primeiramente pela ausência de resultados. Os “blancos” não conquistaram nenhum troféu esta temporada – algo que só aconteceu outras cinco vezes este século – e com um balneário com conflitos latentes: agressões entre Tchouaméni e Federico Valverde; a vida privada de Mbappé que gera incómodo entre os colegas e mesmo com os adeptos; a personalidade problemática de Vinícius Jr…Na sua primeira passagem pelo Santiago Bernabéu, José Mourinho também encontrou um cenário difícil. O Barcelona tinha a hegemonia do futebol espanhol, com a equipa de Pep Guardiola a encantar o mundo. Mourinho adoptou uma atitude de “guerra” com o clube catalão, emblema que tinha acabado de derrotar na final da Liga dos Campeões ao serviço do Inter de Milão.Os resultados apareceram. Primeiro com uma Taça do Rei, precisamente contra o Barcelona, e depois, mais importante que tudo, com a conquista do campeonato de 2011/12, liderando uma equipa em que se destacava Cristiano Ronaldo e que fixou um recorde de pontos (100) e golos marcados (121).Tudo isto foi alcançado num ambiente de cortar à faca entre os dois principais clubes espanhóis e em que cada partida entre os dois emblemas se disputava sob brasas, com frequentes agressões – José Mourinho chegou a colocar um dedo num olho do treinador adjunto do Barcelona, Tito Vilanova, num desses encontros.Este clima de tensão constante promoveu um desgaste imenso no treinador português que enfrentou os mesmos problemas com que Arbeloa teve de lidar recentemente: fugas de informação do balneário para a imprensa. Na tentativa de estancar esse processo, Mourinho entrou em rota de colisão com vários jogadores influentes do plantel, como o guarda-redes Iker Casillas (que chegou a ser remetido para o banco de suplentes) ou o defesa central Sergio Ramos. Mas o plano não deixou de ficar inclinado para Mourinho que, com a ausência de conquistas e uma crescente contestação à sua gestão por parte dos adeptos “merengues” saiu do clube em Maio de 2013, por mútuo acordo, com a conquista de uma Taça do Rei, uma Supertaça e uma Liga recordista.Apesar de ter deixado o Real Madrid sob fogo, para muitos e, seguramente para Florentino Pérez, Mourinho deixou um legado que contribuiria para os triunfos alcançados, posteriormente, por Carlo Ancelotti e Zinedine Zidane. A ponto de o agora novo presidente do Real Madrid ter escolhido o português para voltar a pôr ordem na casa e regressar às conquistas.A mesma história no ChelseaEsta não será a primeira vez que José Mourinho regressa a um clube. Para além do caso do Benfica, o treinador português também viveu uma situação semelhante em Londres.Mourinho voltou ao Chelsea em 2013, depois de ter sido feliz e apelidado de “special one” na sua primeira passagem pelos “blues”. Depois de uma temporada inicial de reconstrução e sem troféus, os títulos chegaram no segundo ano, com a conquista da Premier League e da Taça da Liga. Seguiu-se uma terceira época desastrosa, mais uma vez com conflitos com jogadores e problemas com elementos que partilhavam o balneário. A saída foi inevitável em Dezembro de 2015. Resta saber se a segunda vida de Mourinho no Real Madrid terá um desfecho melhor ou se terminará mergulhada em polémica, como tem acontecido nas segundas passagens do português pelos clubes que treinou antes.