Os soviéticos foram os pioneiros da era espacial e obrigaram os EUA a suar a camisa (ou seria o traje pressurizado?) para batê-los na corrida para a Lua, em 1969. Mas o que teria acontecido se o principal artífice do programa espacial soviético, o projetista-chefe Sergei Korolev, não tivesse morrido em 1966, deixando à deriva o esforço de levar seus cosmonautas ao solo lunar? Agora temos a resposta —ao menos na ficção. Esta é a história de "Cidade das Estrelas" ("Star City"), série que estreou no último dia 29, no Apple TV e tem novos episódios lançados toda sexta-feira no serviço de streaming.
Se a premissa de história contrafactual soa familiar, é porque é mesmo. Foi baseada nessa mesma ideia, contada pelo lado americano, que os cocriadores Ronald D. Moore, Matt Wolpert e Ben Nevidi lançaram, em 2019, "For All Mankind", série que já caminha para sua sexta e última temporada. "Cidade das Estrelas" é uma "derivada/irmã", cobrindo os mesmos eventos "históricos" de sua originária, mas agora pelo lado soviético.
O resultado é um misto de sci-fi com thriller político que traz, com um sabor tão diferente quão empolgante, o que poderia ter sido a corrida espacial se EUA e URSS não tivessem puxado o freio após as missões Apollo. A primeira temporada da nova série se passa no mesmo período que a equivalente de sua predecessora e retrata o ambiente opressivo e paranoico do regime totalitário soviético como, ao mesmo tempo, viabilizador e sabotador dos planos de Korolev —que, assim como em nossa própria realidade, era chamado apenas de "projetista-chefe", sem ter sua identidade revelada ao público.









