Astro e diretor de clássicos como ‘Dirty Harry’, ‘Os Imperdoáveis’ e ‘As Pontes de Madison’ construiu legado marcado por anti-heróis, faroestes e reflexões sobre lei, violência e redenção Veja dez filmes que marcaram a carreira de Clint Eastwood: Aos 96 anos, ator e diretor pode ter encerrado trajetória no cinema — Foto: Reprodução: IMDB] Clint Eastwood pode ter dirigido seu último filme. A possibilidade foi levantada por seu filho, o músico Kyle Eastwood, em uma entrevista concedida no ano passado a um veículo francês e recentemente recuperada. — Tenho muitas lembranças boas de trabalhar com ele — disse Kyle. — Agora ele está aposentado, tem 95 anos. Mas tive muita sorte de poder trabalhar com ele em vários filmes. Hoje aos 96 anos, Eastwood construiu uma das carreiras mais longevas e influentes de Hollywood. Foram cerca de 60 filmes como ator e 40 como diretor, muitas vezes acumulando as duas funções. Ao longo de décadas, consolidou uma filmografia marcada por personagens duros, anti-heróis, faroestes violentos e histórias em que a fronteira entre lei e brutalidade quase sempre aparece borrada. Alain Delon: confira trajetória do ícone do cinema que morreu aos 88 anos 1 de 13 Alain Delon com a atriz austríaca Romy Schneider, em 1959, durante baile em Munique, na Alemanha — Foto: EPU / AFP 2 de 13 Alain Delon beija a mulher, Nathalie, no aeroporto de Orly, na França, em 1965 — Foto: AFP X de 13 Publicidade 13 fotos 3 de 13 Alain Delon entre a atriz Mireille Darc e o diretor italiano Sergio Leone chegando à reinauguração da badaladíssima boate "Le Grand Cabaret", em 1977 em Nice, França — Foto: AFP 4 de 13 Alain Delon em 1976 durante evento de gala no Cassino Ruhl, em Nice, na França — Foto: AFP X de 13 Publicidade 5 de 13 O ator em 1976 — Foto: AFP 6 de 13 Alain Delon em 1979 na filmagem de "O médico" em Sissonne, na França — Foto: Jean MEUNIER / AFP X de 13 Publicidade 7 de 13 Alain Delon em 1981 em Paris durante campanha eleitoral do ex-presidente Valery Giscard d'Estaing (ao fundo) — Foto: Dominique FAGET / AFP 8 de 13 Alain Delon e a atriz francesa Mireille Darc em 1980 durante evento — Foto: Gabriel DUVAL and Jean-Pierre PREVEL / AFP X de 13 Publicidade 9 de 13 Alain Delon em1990 ao participar do primeiro Soviet Music Day Festival, na Rússia — Foto: VITALY ARMAND / AFP 10 de 13 Alain Delon no funeral ao ator e cantor francês Yves Montand em novembro de 1991 no cemitério Père Lachaise, em Paris — Foto: Michel GANGNE / AF X de 13 Publicidade 11 de 13 Alain Delon e a atriz Juliette Binoche em 1997 em evento no Louvre — Foto: Eric Feferberg / AFP 12 de 13 Alain Delon e a filha Anouchka no Festival de Cannes em 2007 — Foto: Anne-Christine POUJOULAT / AFP X de 13 Publicidade 13 de 13 Alain Delon em Cannes em 2019 — Foto: CHRISTOPHE SIMON / AFP Dono de beleza inconfundível, ator teve interpretações marcantes em filmes A obra de Eastwood atravessou diferentes cenários — de cidades do Velho Oeste a dramas urbanos e histórias de guerra —, mas manteve como eixo uma disputa constante entre ordem e caos. Ele interpretou ladrões, assassinos, policiais e homens solitários em busca de redenção. Raramente foi um herói clássico. Quase nunca, um vilão absoluto. A seguir, veja dez filmes que marcaram a carreira de Clint Eastwood: 10. ‘Cartas de Iwo Jima’ (2006) Cena de "Cartas de Iwo Jima" (2006), dirigido por Clint Eastwood — Foto: Reprodução: IMDB Um dos grandes trabalhos de Eastwood como diretor, mesmo sem sua presença em cena. O filme observa a Segunda Guerra Mundial a partir do ponto de vista japonês, dentro do labirinto de cavernas de Iwo Jima. Lançado como obra complementar a “A Conquista da Honra”, centrado na perspectiva americana, “Cartas de Iwo Jima” se destaca por sua austeridade e empatia. Ken Watanabe e Kazunari Ninomiya conduzem a trama como um general e um soldado diante do desespero. 9. ‘Na Linha de Fogo’ (1993) Clint Eastwood em ‘Na Linha de Fogo’ (1993), de Wolfgang Petersen — Foto: Reprodução: IMDB Depois do sucesso de “Os Imperdoáveis”, Eastwood voltou aos holofotes como ator neste suspense dirigido por Wolfgang Petersen. Ele interpreta um agente do Serviço Secreto ainda assombrado por não ter conseguido impedir o assassinato de John F. Kennedy. Agora, precisa proteger o presidente dos Estados Unidos de um assassino vivido por John Malkovich, indicado ao Oscar pelo papel. Aos 62 anos, Eastwood encontrou um de seus papéis mais fortes no cinema comercial dos anos 1990. 8. ‘O Estranho Sem Nome’ (1973) Clint Eastwood em ‘O Estranho Sem Nome’ (1973) — Foto: Reprodução: IMDB Segundo filme dirigido por Eastwood, depois de sua estreia atrás das câmeras com “Perversa Paixão”, “O Estranho Sem Nome” levou ao Velho Oeste a persona que ele havia consolidado nos faroestes de Sergio Leone. Na trama, um forasteiro chega à cidade de Lago e passa a expor a hipocrisia moral dos moradores. Meio justiceiro, meio figura quase sobrenatural, o personagem também carrega traços perturbadores. Eastwood mandou construir a cidade no deserto e a destruiu ao fim da produção, depois de fazer os sobreviventes pintarem tudo de vermelho, como símbolo da vergonha coletiva. 7. ‘Menina de Ouro’ (2004) Cena de 'Menina de ouro' (2004) — Foto: Divulgação Eastwood nunca ganhou o Oscar de melhor ator, mas “Menina de Ouro” levou os prêmios de melhor filme e melhor direção. Na história, Hilary Swank interpreta Maggie Fitzgerald, uma garçonete pobre do interior dos Estados Unidos que sonha em se tornar boxeadora. Eastwood vive Frankie Dunn, o treinador rabugento que se torna seu mentor. O filme começa como uma fábula sobre esforço e sonho americano, mas se transforma em um drama duro sobre dor, perda e escolhas extremas. Swank venceu o Oscar de melhor atriz pelo papel. 6. ‘Jurado nº 2’ (2024) Nicholas Hoult e Clint Eastwood durante as gravações de 'Jurado Nº2' — Foto: Divulgação Apontado como possível último filme de Eastwood, “Jurado nº 2” foi lançado sem grande campanha da Warner Bros., mas representa um dos trabalhos mais fortes do diretor em décadas. A trama acompanha Justin, vivido por Nicholas Hoult, um alcoólatra em recuperação e futuro pai que integra o júri de um julgamento de assassinato na Geórgia. Durante o processo, ele percebe que talvez devesse estar no banco dos réus. O filme retoma um dos temas centrais da obra de Eastwood: a tensão entre justiça institucional e consciência individual. 5. ‘Josey Wales, o Fora da Lei’ (1976) Clint Eastwood em ‘Josey Wales, o Fora da Lei’ (1976) — Foto: Reprodução: IMDB Um dos faroestes favoritos do próprio Eastwood, “Josey Wales, o Fora da Lei” marcou sua consolidação como diretor nos anos 1970. A abertura é brutal: Wales, interpretado por Eastwood, trabalha pacificamente em sua terra quando paramilitares pró-União invadem o local, incendeiam sua casa e matam sua mulher e seu filho. Devastado, ele se junta a guerrilheiros confederados em busca de vingança. O personagem, no entanto, não consegue parar de matar, mesmo quando a redenção parece depender justamente disso. 4. ‘Trilogia dos Dólares’ (1964-1966) Clint Eastwood em “Por um Punhado de Dólares” (1964), de Sérgio Leone — Foto: Reprodução: IMDB Antes de virar astro do cinema, Eastwood era conhecido pela série de TV “Rawhide”. Foi assim que Sergio Leone o escalou por um valor relativamente baixo para “Por um Punhado de Dólares” (1964), no qual criou o arquétipo do Homem Sem Nome: o estrangeiro silencioso, de olhar estreito, charuto na boca e gatilho rápido. O filme era uma releitura de “Yojimbo”, de Akira Kurosawa, que processou Leone e afirmou: “É um filme muito bom, mas é meu filme.” Kurosawa ficou com 15% dos lucros. A saga cresceu com “Por uns Dólares a Mais” (1965) e atingiu seu ápice em “Três Homens em Conflito” (1966), célebre pelo duelo mexicano final. A força visual é de Leone, mas a presença icônica de Eastwood se tornou inseparável desses filmes. 3. ‘As Pontes de Madison’ (1995) Clint Eastwood e Meryl Streep em "As Pontes de Madison" (1995), de Robert James Waller — Foto: Reprodução: IMDB Eastwood dirigiu e estrelou esta adaptação do romance de Robert James Waller, que vendeu mais de 50 milhões de cópias. No filme, Meryl Streep vive uma dona de casa italiana no interior de Iowa, nos anos 1960, que vive um breve caso de amor com o fotógrafo Robert Kincaid, interpretado por Eastwood. Ao longo de quatro dias, a história revela uma delicadeza inesperada no olhar do diretor. A cena dos sinais de trânsito sob a chuva, em que a personagem de Streep tem uma última chance de mudar seu destino, é uma das mais lembradas de sua carreira. Streep foi indicada ao Oscar pelo papel. 2. ‘Os Imperdoáveis’ (1992) Clint Eastwood em "Os Imperdoáveis" (1992), filme que estrelou e dirigiu — Foto: Reprodução: IMDB Considerado o último grande faroeste de Eastwood, “Os Imperdoáveis”, dirigido e estrelado pelo ator, acompanha William Munny, um viúvo e criador de porcos que aceita caçar homens responsáveis por desfigurar uma prostituta em Big Whiskey, no Wyoming, em 1881. O principal obstáculo é o xerife “Little Bill” Daggett, vivido por Gene Hackman, que impõe sua própria versão da lei com violência extrema. Com Morgan Freeman, Richard Harris, Saul Rubinek e Frances Fisher no elenco, o filme desmonta a mitologia do Velho Oeste e questiona o custo moral da vingança. Venceu o Oscar de melhor filme e melhor direção. 1. ‘Perseguidor Implacável’ (1971) Clint Eastwood em “Perseguidor Implacável” (1971), o qual codirigiu ao lado de Don Siegel — Foto: Reprodução: IMDB O topo da lista fica com Harry Callahan, um dos personagens mais duros e controversos da carreira de Eastwood. Policial de tendências autoritárias, ele é apresentado como a única barreira eficaz contra o serial killer Scorpio, interpretado por Andrew Robinson. Inspirado livremente nos crimes do Zodíaco, “Dirty Harry” gerou quatro continuações cada vez mais violentas, mas o primeiro filme segue como o mais marcante. Foi também a melhor das cinco colaborações de Eastwood com Don Siegel, um de seus principais mentores como diretor. O papel parecia feito sob medida para o ator, que transforma sua persona já conhecida em pura raiva contida. A frase, tantas vezes parodiada, virou símbolo do personagem: “Você se sente com sorte, vagabundo? Então, sente?”