O papa Leão 14 chegou neste sábado (6) a Madri, primeira etapa de uma visita de sete dias à Espanha durante a qual deve discutir questões migratórias e se reunir com vítimas de violência sexual na Igreja Católica. "Os abusos são uma ferida ainda aberta", disse o pontífice a jornalistas durante a viagem.

Relatório publicado em 2023 pelo "defensor del pueblo", um cargo inspirado na função de ombudsman, da Suécia, que foi instituído na Espanha na Constituição de 1978, estimou que mais de 230 mil crianças e adolescentes podem ter sofrido agressões por parte de religiosos católicos desde 1940.

No final de março, o governo do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, e a Igreja espanhola assinaram um acordo para indenizar as vítimas de crimes sexuais, após anos de reticências e falta de transparência por parte da hierarquia eclesiástica.

O rei Felipe 6º, que recebeu o pontífice no aeroporto de Barajas e no Palácio Real ao lado da rainha Letizia e do premiê Pedro Sánchez, cumprimentou o religioso pela forma como lida com o assunto. "Vossa clareza e firmeza, que também quero reconhecer, são essenciais no processo de cura e reparação do dano infligido", disse.

Trata-se da primeira visita do pontífice à União Europeia além da Itália. Em Barcelona, Leão 14 deve inaugurar uma nova torre na basílica da Sagrada Família e se encontrar com migrantes que enfrentaram o oceano Atlântico para chegar à Europa e organizações dedicadas a ajudá-los.