O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira, em entrevista ao programa "Meet the Press", da NBC News, que o Irã ainda dispõe de entre 21% e 22% de seu arsenal de mísseis. "Eles ainda têm alguns mísseis e alguns drones. Eu diria que, em termos percentuais, talvez entre 21% e 22% de seus mísseis. É uma quantidade significativa, mas não se compara ao que possuíam quando realizamos o primeiro ataque", disse Trump. A declaração contrasta com relatórios de inteligência vazados para jornais e agências de notícias no último mês. Segundo essas análises, o Irã não apenas mantém uma parcela relevante de seus estoques de drones e mísseis, como também tem conseguido reativar plataformas de lançamento. Além disso, o país estaria recuperando o acesso a túneis que armazenam armamentos e que os EUA acreditavam ter sido soterrados nas fases iniciais dos ataques. Ao mesmo tempo, as negociações entre Washington e Teerã perderam impulso nesta semana. O governo iraniano passou a exigir a retirada de forças israelenses do Líbano, onde o Hezbollah — aliado de Teerã — tem intensificado ataques contra o norte de Israel. O grupo militante também tem demonstrado capacidade de empregar drones em operações contra o território israelense. Em entrevista à CNN, um assessor do líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, afirmou que um acordo para interromper o conflito e retomar as negociações dependeria da liberação de US$ 24 bilhões em ativos iranianos congelados pelos EUA. A questão dos ativos congelados representa um desafio político para Trump, que frequentemente critica o acordo nuclear negociado pelo ex-presidente Barack Obama. Nos últimos dias, o presidente americano alternou declarações otimistas sobre as negociações com novas ameaças ao Irã, em uma estratégia de ambiguidade que, somada à continuidade do conflito, tem contribuído para a volatilidade dos mercados.