Os bancos que coordenam a oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da SpaceX, avaliada em US$ 75 bilhões, foram instruídos a não aceitar pedidos de investidores de Hong Kong e da China, devido a restrições dos EUA em relação à exportação de tecnologia crítica, segundo pessoas com conhecimento do assunto. Os principais bancos responsáveis pela operação instruíram os demais bancos do consórcio de subscrição a não permitirem que clientes em Hong Kong e na China, incluindo clientes de private banking, façam pedidos para a oferta devido a riscos regulatórios e de conformidade, disseram as fontes, que pediram para não serem identificadas, pois o assunto é confidencial. A decisão de excluir investidores desse países foi baseada em estimativa relacionadas ao Regulamento Internacional de Tráfico de Armas dos EUA (ITAR), segundo o qual essas jurisdições estão sujeitas a restrições de distribuição, disseram algumas pessoas. Embora indivíduos de jurisdições com restrições do ITAR não estejam legalmente impedidos de subscrever a oferta, a SpaceX instruiu os bancos a não alocarem quaisquer ações, de acordo com um memorando enviado pela empresa enviado pelo Citigroup Inc., um dos bancos que ajudaram a organizar o negócio, e analisado pela Bloomberg. O banco com sede em Nova York lembrou os participantes do consórcio de não comercializarem a oferta por meio de seus canais de gestão de patrimônio e private banking para cidadãos de jurisdições com restrições do ITAR, e de identificarem quaisquer investidores cujas ordens tenham entrado no livro de ofertas institucional. As jurisdições com restrições também incluem Líbano, Rússia, Chipre e Síria. Um porta-voz do Citigroup não quis comentar. Goldman Sachs Group Inc. e Morgan Stanley, os bancos líderes do negócio, não responderam imediatamente a um pedido de comentário. Não foi possível contatar imediatamente um representante da SpaceX para comentar fora do horário comercial normal. Nesta sexta-feira (5), o site da SpaceX estava inacessível em Hong Kong e Xangai. As tentativas de acesso resultavam em uma mensagem de erro informando que a empresa havia bloqueado o acesso a partir de endereços de internet dessas localidades. Nos últimos anos, as empresas dos EUA de tecnologia e inteligência artificial têm se mostrado cada vez mais cautelosas em aceitar capital de investidores chineses, refletindo o aumento da atenção de reguladores e clientes em relação aos potenciais riscos à segurança nacional e à segurança de dados. Empresas que buscam contratos governamentais ou que atuam em setores sensíveis frequentemente procuram manter sua base acionária livre de investidores que possam desencadear investigações por parte das autoridades dos EUA ou gerar preocupações entre potenciais clientes. Essa mudança representa um contraste com a década anterior, quando empresas chinesas de capital de risco, fundos de private equity, family office e indivíduos ricos eram investidores ativos em startups do Vale do Silício. Muitos participavam por meio de veículos de propósito específico offshore e estruturas de fundos que ocultavam a origem do capital, permitindo-lhes apoiar empresas de tecnologia de alto crescimento juntamente com investidores globais. Com o aumento das tensões geopolíticas entre Washington e Pequim, fundadores e subscritores tornaram-se mais seletivos em relação às estruturas de capitalização antes das ofertas públicas iniciais, com algumas empresas reduzindo ou evitando ativamente a participação chinesa.
Investidores de China e Hong Kong são barrados no IPO da SpaceX
Motivo são a restrições dos EUA em relação à exportação de tecnologia crítica, dizem fontes












