Depois de passar maio sem importar diesel, a Petrobras informou nesta sexta-feira (5|) que irá retomar a importação do combustível no fim de junho. A companhia estava atendendo aos pedidos de diesel de abril e maio apenas com produção própria. "A Petrobras não realizou importações de diesel em maio de 2026. Para junho, está prevista apenas uma carga de importação, com chegada no fim do mês", informou a Petrobras em nota ao Valor. Confira os resultados e indicadores da Petrobras e das demais companhias de capital aberto no portal Valor Empresas 360 Desde o início da guerra no Oriente Médio, em 28 de fevereiro, o mercado de diesel brasileiro se tornou uma preocupação, uma vez que cerca de 25% a 30% da demanda doméstica é atendida por produto importado. A Petrobras, no geral, atende a cerca de 70% desse mercado, combinando produção própria e importação. A estatal ampliou a produção e adiou paradas de manutenção em refinarias, como o caso da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná, o que permitiu atender os contratos de abril e maio sem a importação. Com a pressão das cotações internacionais por conta da guerra, o fato de a companhia evitar a importação contribuiu para não repassar as oscilações externas ao mercado doméstico de diesel. Esse, segundo a Petrobras, é um dos objetivos da atual estratégia de preços de combustíveis. Subsídio do governo No domingo (31), a Petrobras anunciou redução de R$ 0,3515 sobre o diesel. A medida está inserida na nova medida de subsídio do governo que entrou em vigor na segunda-feira (1), substituindo a isenção do PIS e Cofins, que voltaram a valer na mesma data. Os preços da estatal ainda estão abaixo dos praticados no exterior. Conforme cálculos da StoneX, o diesel da Petrobras está R$ 1,64 abaixo do importado, ou 50,3% mais barato. A gasolina da Petrobras está R$ 0,82 mais barata do que a importada, ou 32,1% menor Autossuficiência em diesel Em falas recentes, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse que a companhia planeja alcançar a autossuficiência no diesel, atendendo a contratos sem a necessidade de importação. Para isso, a petroleira vai ampliar a capacidade das refinarias, com destaque para a Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco, e a Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio. Pelo atual plano de negócios 2026-2030, a petroleira prevê investir US$ 20 bilhões em refino, transporte e comercialização, cifra na qual estão inseridas as previsões de ampliar o parque de refino. Conforme o planejamento, a companhia deve atender 80% da demanda doméstica de diesel com produção própria até 2030. Segundo Chambriard, o objetivo é chegar aos 100% em cinco anos. Funcionário de posto de combustível enche tanque de consumidor com diesel da Petrobras — Foto: Hermes de Paula/Agência O Globo