Para assinalar uma década da família 1000X, a marca nipónica apresenta uma interpretação mais ambiciosa dos seus auscultadores de topo. Em vez de ceder ao habitual desfile de truques de software, a Sony optou por um caminho mais sensato — e raro — no universo do áudio portátil: investir na matéria‑prima, no conforto e na engenharia física.A diferença sente-se logo ao sair da caixa. Onde antes reinava o plástico propenso a dedadas, surge agora um arco metálico com acabamento irrepreensível — alternando entre fosco e brilhante — e conchas totalmente revestidas a pele sintética. O que se traduz numa experiência táctil que eleva o objecto a outro patamar. Quem passa horas com auscultadores na cabeça, seja a editar som num estúdio improvisado ou a sobreviver ao ruído de uma redacção, sabe que o desconforto é o verdadeiro inimigo. Aqui, a Sony afinou a ergonomia com rigor. A nova almofada superior distribui melhor o peso e, apesar de o conjunto subir para as 312 gramas, a sensação é de maior leveza face aos XM6.No som, a ruptura é ainda mais interessante. A Sony abandona os transdutores habituais e estreia um diafragma de 30mm em composto de carbono. O resultado é uma assinatura sonora mais madura e disciplinada. Há mais separação instrumental, mais largura de palco e menos exuberância artificial. Numa gravação de jazz, por exemplo, o contrabaixo ganha posição e definição sem esmagar o brilho dos pratos ou a textura da voz. É um som menos “festivo” do que nos XM5 ou XM6. E, por isso mesmo, mais honesto.