O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) disse nesta quarta-feira (3) que os americanos têm um sistema de pagamentos instantâneos "muito semelhante" ao Pix, o Zelle, e que isso “poderia ser levado para a mesa de negociação” entre Brasil e EUA. A fala ocorreu após o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) acusar nesta semana o Banco Central brasileiro de dar tratamento preferencial o Pix, o que seria “injusto” e “discriminatório” com as empresas americanas. A conclusão do USTR ocorreu em meio às ameaças de Washington de impor novas tarifas comerciais ao Brasil. Mas Pix e Zelle são mesmo parecidos, como sugeriu o ex-parlamentar radicado nos Estados Unidos? O Pix foi criado pelo Banco Central em novembro de 2020 e é obrigatório para todas as instituições financeiras com mais de 500 mil contas, sendo gratuito para o uso por pessoas físicas. Já o Zelle foi criado em 2017 e é uma rede de pagamentos digitais operada pela Early Warning Services, uma instituição que pertence a um consórcio formado por grandes bancos, como Bank of America, J.P.Morgan Chase, Capital One e Wells Fargo. Enquanto no Pix a transação tem de ser liquidada em poucos segundos, 24 horas por dia e sete dias por semana, no Zelle ela pode levar até "poucos minutos". No Brasil, o Pix é usado por mais de 184,1 milhões de pessoas e empresas. Considerando somente pessoas físicas, são mais de 170 milhões, ou 80% da população, com 7,122 bilhões de transações em maio. O recorde de transações em um único dia foi em 5 de dezembro do ano passado, com 313,3 milhões de operações. A média diária fica entre R$ 70 bilhões e R$ 80 bilhões. Já o Zelle diz possuir mais de 160 milhões de usuários e que processa US$ 3,4 bilhões por dia em média, ou perto de R$ 17,5 bilhões no câmbio atual. Ele é voltado principalmente para transferências entre pessoas (P2P) e transações de pequeno valor. Enquanto isso, o Pix pode ser usado em diversas situações, tanto P2P como para pagamentos de pessoas para empresas (P2B). O Pix cresceu rapidamente e se tornou praticamente uma unanimidade no Brasil. Já no EUA, existem vários outros sistemas para pagamentos, como Venmo, PayPal e Cash App. O Zelle diz ter 2,4 mil bancos e instituições cadastradas. Até mesmo a subsidiária do Banco do Brasil por lá, o BB Americas, oferece o serviço. O Zelle é mais demorado e tem uma integração menor dentro do sistema financeiro americano, sendo que o Pix tem diversas outras funções que seu rival americano não possui. Só no ano passado, o BC lançou o Pix por aproximação e o Pix Automático, duas iniciativas de pagamentos para empresas. Ainda trabalha no Pix Parcelado — que funcionará como uma espécie de crediário digital. Os EUA também estão desenvolvendo um sistema de pagamento instantâneo criado pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano), o FedNow. Porém, diferentemente do Pix, ele não é obrigatório para os grandes bancos. Segundo o site do FedNow, já são mais de 1,7 mil instituições participantes, entretanto, o sistema ainda não decolou. Os escopos são diferentes e um executivo brasileiro brinca que o sistema americano não é “Fed” nem “now” (agora, em inglês). “O sistema lá não é federal, porque são 50 estados, cada um com uma legislação diferente. E não é instantâneo, porque o setor financeiro americano não tem condições tecnológicas de liquidar a operação em até 10 segundos, como ocorre aqui”. Aplicativo do sistema americano privado de pagamentos Zelle — Foto: Tiffany Hagler-Geard/Bloomberg
Eduardo Bolsonaro compara Pix ao Zelle, dos EUA, mas eles são mesmo parecidos?
Segundo o ex-deputado, americanos têm um sistema de pagamentos instantâneos "muito semelhante" ao Pix, o Zelle, e que isso “poderia ser levado para a mesa de negociação” entre Brasil e EUA










