Apuração foi iniciada a pedido do governo francês após participantes denunciarem maus-tratos e tortura durante detenção por autoridades israelenses no mês passado Veleiros exibindo bandeiras palestinas participam de reunião de barcos em apoio a uma flotilha que transportava ajuda humanitária e ativistas em direção a Gaza — Foto: LLUIS GENE/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 05/06/2026 - 12:55 França investiga alegações de crimes de guerra e tortura por Israel A França iniciou uma investigação sobre possíveis "crimes de guerra" e "tortura" por parte de Israel contra ativistas franceses de uma flotilha humanitária para Gaza. Os ativistas denunciaram maus-tratos durante a detenção em Israel, incluindo violência sexual e agressões físicas. Israel nega as acusações, afirmando que os detidos foram tratados conforme a lei. A investigação foi solicitada pelo governo francês. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A França abriu uma investigação sobre um suposto “crime de guerra” e “tortura” relacionado ao tratamento dado por Israel a ativistas franceses que participaram de uma flotilha de ajuda humanitária com destino a Gaza, informou nesta sexta-feira o gabinete do Ministério Público. A investigação foi aberta a pedido do governo, informou o Ministério Público Nacional Antiterrorismo (PNAT, na sigla em francês), após ativistas acusarem as autoridades israelenses de maus-tratos durante sua detenção no mês passado. Mais de 50 embarcações da flotilha Global Sumud (GSF) partiram da Turquia em maio com o objetivo de romper o bloqueio marítimo imposto por Israel a Gaza e entregar alimentos e ajuda médica. O governo israelense classificou a ação como uma “manobra de relações públicas” em benefício do grupo terrorista Hamas e ordenou que militares abordassem as embarcações a oeste de Chipre. Mais de 400 ativistas de 41 países foram detidos, transferidos para embarcações israelenses e levados a uma prisão em Israel antes de serem deportados. Muitos dos ativistas afirmaram ter sido submetidos a abusos enquanto estavam detidos. Na ocasião, o Canadá disse ter recebido relatos de “abusos chocantes” contra seus cidadãos, enquanto Alemanha e Espanha confirmaram que vários de seus nacionais sofreram ferimentos. Os organizadores da flotilha alegaram que houve “ao menos 15 casos de agressão sexual”, e detidos afirmaram ter sido espancados. Em nota, a GSF afirmou que pessoas foram “baleadas à queima-roupa com balas de borracha”, e que havia dezenas com ossos quebrados. O serviço prisional de Israel classificou as acusações como falsas, afirmando que todos os detidos foram “mantidos de acordo com a lei”. As Forças Armadas israelenses também rejeitaram as alegações. À rede britânica BBC, o órgão afirmou que suas diretrizes exigem “tratamento respeitoso e apropriado” aos participantes da flotilha, acrescentando que “existem procedimentos claros e estabelecidos nesse sentido”. “Não há conhecimento, dentro das Forças Armadas de Israel, de incidentes específicos que representem desvios desses procedimentos obrigatórios. Quaisquer denúncias concretas apresentadas às IDF sobre o assunto serão examinadas minuciosamente”, escreveram. Relatos de ativistas Ao retornar a Paris, a ativista francesa Meriem Hadjal disse ter sido “submetida a violência sexual e apalpada”. À imprensa, ela afirmou ter sido agredida, detalhando que recebeu “joelhadas nas costelas” e puxões de cabelo. Os italianos Alessandro Mantovani, jornalista Il Fatto Quotidiano, e Dario Carotenuto, deputado do Movimento Cinco Estrelas, também relataram abusos. Mantovani afirmou ter sido espancado e depois levado para um centro de detenção feito de contêineres marítimos, descrito por ele como “um lugar de terror”. — Fomos espancados, torturados, sistematicamente desumanizados e tivemos apenas uma pequena amostra do que os palestinos enfrentam todos os dias — disse o ativista britânico Richard Johan Anderson. A Adalah, organização israelense de direitos humanos que representa os detidos, afirmou que houve “ferimentos graves e generalizados”, com pelo menos três pessoas levadas ao hospital para tratamento. Segundo o grupo, seus advogados, que conversaram com centenas de ativistas no porto de Ashdod, receberam “um grande número de denúncias de violência extrema” praticada pelas autoridades israelenses. Em atualização.