O procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, decidirá em breve se entrará com uma ação judicial para bloquear a aquisição da Paramount pela Warner Bros. Discovery, avaliada em US$ 110 bilhões, disse à Reuters em entrevista. Bonta acrescentou que, de modo geral, considera que quaisquer promessas corporativas para resolver preocupações antitruste são mais eficazes quando acompanhadas da possibilidade de desinvestimentos. O gabinete de Bonta vem analisando o negócio em busca de possíveis violações das leis antitruste dos Estados Unidos, enquanto proprietários de cinemas, atores de Hollywood e outros participantes do setor expressaram preocupação de que a fusão reduza a concorrência na indústria, resultando em salários menores, preços mais altos e menos opções para consumidores e compradores de conteúdo. As autoridades antitruste da Europa devem decidir até o início de julho se aprovarão a operação, enquanto o Departamento de Justiça dos Estados Unidos provavelmente chegará a uma decisão em breve, segundo uma fonte. O negócio poderá ser concluído assim que obtiver essas aprovações, aumentando a pressão de tempo sobre o gabinete de Bonta, considerado o órgão com maior probabilidade de contestar a transação. “Não resta muito tempo antes que precisemos agir, caso decidamos fazê-lo”, disse Bonta em entrevista em Oakland, na Califórnia. A combinação de dois grandes estúdios cinematográficos americanos gerou apreensão em Hollywood devido à possibilidade de redução no número de produções. Bonta afirmou que seu gabinete ouviu muitos trabalhadores da indústria e que suas preocupações levantaram “ainda mais sinais de alerta”. As autoridades antitruste podem contestar fusões que prejudiquem significativamente a concorrência, incluindo a competição entre empregadores pela contratação de mão de obra especializada. “Achamos que temos um papel central na proteção dos empregos em Hollywood em relação à proposta de fusão entre Paramount e Warner Brothers”, disse Bonta. Um porta-voz da Paramount afirmou que a empresa tem “todos os incentivos econômicos” para expandir a produção após a fusão, a fim de aumentar o número de assinantes de seus serviços de streaming. O CEO da Paramount, David Ellison, prometeu que a empresa combinada lançará 30 filmes por ano nos cinemas. A companhia considera os lançamentos nas salas de cinema fundamentais para promover suas ofertas de streaming, segundo documentos judiciais apresentados recentemente. Questionado sobre se a Paramount deveria ser obrigada a se desfazer de partes de seus negócios para proteger a concorrência, Bonta respondeu que as chamadas medidas comportamentais — quando as empresas concordam em adotar determinadas práticas — nem sempre são adequadas. “Elas podem fazer parte da solução? Talvez. Devem ser respaldadas, caso sejam adotadas, por uma medida estrutural caso se revelem insuficientes? Eu diria que sim. É dessa forma que estou pensando sobre o assunto”, afirmou. O diretor jurídico da Paramount, Makan Delrahim, declarou que a empresa está “sempre preparada para corrigir violações legítimas e claramente identificadas das leis antitruste”, mas acredita que esta operação não apresenta nenhuma. Estados se unem para enfrentar questões antitruste O Departamento de Justiça da Califórnia possui a maior divisão antitruste do país, com pouco menos de 50 profissionais. Segundo Bonta, o estado adicionará mais oito advogados e oito funcionários de apoio neste ano. O governador da Califórnia, Gavin Newsom, propôs acrescentar US$ 14,3 milhões ao orçamento de Bonta para atividades relacionadas à defesa da concorrência. Diversos outros estados estão conversando com a Califórnia sobre uma possível contestação conjunta ao acordo, segundo duas pessoas familiarizadas com o assunto. No entanto, não há indicação de que esses estados tenham chegado a um consenso sobre a estratégia a ser adotada. Segundo as fontes, os custos potenciais envolvidos caso a Califórnia contrate advogados externos podem influenciar a decisão dos demais estados. “Todas as opções possíveis estão sobre a mesa, disponíveis e plenamente financiadas, independentemente do que decidirmos”, disse Bonta ao ser questionado se o estado estava preparado para agir sozinho. A Califórnia já trabalhou tanto com Estados governados por democratas quanto por republicanos em importantes processos antitruste no passado, incluindo uma vitória recente contra a Live Nation Entertainment. Segundo Bonta, trabalhar em conjunto tornou-se ainda mais importante agora que o governo do presidente Donald Trump estaria “escolhendo vencedores e perdedores com base em quem são seus amigos”. Mas ações antitruste frequentemente custam dezenas de milhões de dólares, levantando dúvidas sobre quantos grandes processos os estados conseguem sustentar sem o apoio do governo federal. “Nós encontraremos uma forma: voltaremos a pedir mais recursos, cada um contribuirá com o suficiente, contrataremos advogados externos, faremos o que for necessário”, disse Bonta. “Acredito que os cidadãos dos nossos estados e deste país querem isso, e sei que eles merecem isso.” — Foto: Bloomberg
Califórnia decidirá em breve se tentará barrar acordo da Paramount
A combinação do estúdio com a Warner Bros. Discovery gerou apreensão em Hollywood devido à possibilidade de redução no número de produções














