A Fifa decidiu proibir a entrada de garrafas reutilizáveis de água em todos os estádios da Copa do Mundo de 2026, que será disputada nos Estados Unidos, no México e no Canadá. A mudança, informada a torcedores por e-mail após uma atualização no Código de Conduta dos estádios, ocorre em meio à preocupação de médicos e cientistas com o calor previsto para o torneio, que começa em 11 de junho. A regra representa uma mudança em relação à orientação divulgada pela própria entidade semanas antes. No documento anterior, a Fifa informava que garrafas plásticas vazias, transparentes e reutilizáveis, com capacidade de até 1 litro, poderiam ser levadas aos estádios. "Para que não restem dúvidas, garrafas de plástico vazias, transparentes e reutilizáveis, com capacidade de até 1 litro, podem ser levadas para o Estádio", dizia o documento anterior. Veja fotos das bolas oficias usadas em todas as edições da Copa do Mundo até hoje 1 de 28 Copa do Mundo de 1930, no Uruguai: Modelo T — Foto: Divulgação / Fifa 2 de 28 Copa do Mundo de 1930, no Uruguai: Tiento, usada em alguns jogos — Foto: Divulgação / Fifa X de 28 Publicidade 28 fotos 3 de 28 Copa do Mundo de 1934, na Itália: Federale 102 — Foto: Divulgação / Fifa 4 de 28 Copa do Mundo de 1938, na França: Allen — Foto: Divulgação / Fifa X de 28 Publicidade 5 de 28 Copa do Mundo de 1950, no Brasil: Superball Duplo T — Foto: Divulgação / Fifa 6 de 28 Copa do Mundo de 1954, na Suíça: Swiss World Champion — Foto: Divulgação / Fifa X de 28 Publicidade 7 de 28 Copa do Mundo de 1958, na Suécia: Top Star — Foto: Divulgação / Fifa 8 de 28 Copa do Mundo do Chile, de 1962: Mr Crack — Foto: Divulgação / Fifa X de 28 Publicidade 9 de 28 Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra: Challenge 4-Star — Foto: Divulgação / Fifa 10 de 28 Copa do Mundo de 1970, no México: Telstar — Foto: Divulgação / Fifa X de 28 Publicidade 11 de 28 Copa do Mundo de 1974, na Alemanha Ocidental: Telstar Durlast — Foto: Divulgação / Fifa 12 de 28 Copa do Mundo de 1978, na Argentina: Tango Durlast — Foto: Divulgação / Fifa X de 28 Publicidade 13 de 28 Copa do Mundo de 1982, na Espanha: Tango España — Foto: Divulgação / Fifa 14 de 28 Copa do Mundo de 1986, no México: Azteca — Foto: Divulgação / Fifa X de 28 Publicidade 15 de 28 Copa do Mundo de 1990, na Itália: Etrusco Unico — Foto: Divulgação / Fifa 16 de 28 Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos: Questra — Foto: Divulgação / Fifa X de 28 Publicidade 17 de 28 Copa do Mundo de 1998, na França: Tricolore — Foto: Divulgação / Fifa 18 de 28 Copa do Mundo de 2002, na Coreia e no Japão: Fevernova — Foto: Divulgação / Fifa X de 28 Publicidade 19 de 28 Copa do Mundo de 2006, na Alemanha: Teamgeist — Foto: Divulgação / Fifa 20 de 28 Copa do Mundo de 2006, na Alemanha: versão especial dourada, a Teamgeist Berlin, usada na final — Foto: Divulgação / Fifa X de 28 Publicidade 21 de 28 Copa do Mundo de 2010, na África do Sul: Jabulani— Foto: Divulgação / Fifa 22 de 28 Copa do Mundo de 2010, na África do Sul: versão especial dourada da Jabulani, usada na final, a 'Jo’bulani'— Foto: Divulgação/Fifa X de 28 Publicidade 23 de 28 Copa do Mundo de 2014, no Brasil: Brazuca— Foto: Divulgação / Fifa 24 de 28 Copa do Mundo de 2014, no Brasil: Brazuca Final Rio — Foto: Divulgação / Fifa X de 28 Publicidade 25 de 28 Copa do Mundo de 2018, na Rússia — Foto: Divulgação / Fifa 26 de 28 Copa do Mundo de 2018, na Rússia: Telstar Mechta, usada nos mata-matas — Foto: Divulgação / Fifa X de 28 Publicidade 27 de 28 Copa do Mundo de 2022, no Qatar: Al Rihla — Foto: Divulgação / Fifa 28 de 28 Copa do Mundo de 2022, no Qatar: Al Hilm, usada nas semifinais e na final — Foto: Divulgação / Fifa X de 28 Publicidade Adidas é fornecedora do evento desde 1970 Agora, a entidade afirma que nenhum tipo de garrafa, copo, pote, lata ou recipiente fechado poderá entrar nos locais das partidas. A Fifa argumenta que a medida busca evitar que objetos sejam arremessados e causem ferimentos a jogadores e torcedores. Na mensagem enviada a detentores de ingressos, a entidade escreveu: "Após atualizações recentes no Código de Conduta dos Estádios, convidamos você a revisar a lista revisada de regras sobre itens proibidos. Em particular, observe que garrafas de água reutilizáveis não são mais permitidas nos estádios da Copa do Mundo da Fifa 2026, conforme indicado na cláusula 3.1.11 do documento mencionado acima". A cláusula 3.1 estabelece que estão proibidos “garrafas, copos, potes, latas ou qualquer outra forma de recipiente fechado ou com tampa que possa ser arremessado ou causar ferimentos, bem como outros objetos feitos de vidro ou qualquer outro material quebrável, embalagens especialmente rígidas ou caixas térmicas rígidas”. O texto acrescenta: "Para que não restem dúvidas, garrafas de água reutilizáveis não poderão ser levadas para o Estádio". A decisão gerou reação de torcedores e entidades de apoio a fãs de futebol. Em estádios dos Estados Unidos, a expectativa é que uma garrafa de água custe entre US$ 4 e US$ 7 (de R$ 20 a R$ 35). No Canadá, em partidas em Toronto e Vancouver, o preço pode chegar a US$ 7,50 (cerca de R$ 40). Na Copa do Mundo de Clubes realizada no ano passado nos Estados Unidos, a Fifa cobrou entre US$ 4 e US$ 6 por uma garrafa de água. Médicos alertam que a restrição pode aumentar o risco de problemas de saúde em torcedores expostos ao calor por longos períodos. Em algumas cidades do sul dos Estados Unidos e do norte do México, as temperaturas no período da Copa costumam ficar entre 30°C e 35°C durante o dia, podendo chegar a 40°C. O México, inclusive, chegou a cogitar antecipar as férias escolares em mais de um mês devido à Copa e às ondas de calor que o país tem enfrentado, mas voltou atrás diante da repercussão negativa. Há algumas semanas, um grupo de 20 cientistas especialistas em saúde, clima e desempenho esportivo enviou uma carta aberta à Fifa alertando para os riscos à saúde dos jogadores por conta da onda de calor prevista para o Mundial. Eles pedem que as pausas para hidratação nos jogos sejam mais longas e que o protocolo para adiamento de partidas em condições climáticas extremas seja mais claro. O médico Malcolm Mistry, professor assistente de Clima e Saúde da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, que escreveu à Fifa alertando sobre os impactos do calor na Copa, criticou a mudança. "A notícia sobre as garrafas de água é muito preocupante. O calor e a desidratação podem fazer os espectadores se sentirem tontos e prestes a desmaiar, levando à exaustão pelo calor. Se os níveis de água das pessoas não forem repostos, estamos falando de uma evolução da exaustão pelo calor para a insolação, que pode levar a mortes. Espectadores no meio do estádio assistindo a uma partida não vão sair e entrar numa fila por água em um quiosque ou bebedouro. Eles ficarão em seus assentos por cerca de três horas, no calor. A Fifa está assumindo um grande risco" disse ao The Sun, do Reino Unido. Oliver Gibson, da Universidade Brunel de Londres, também afirmou que a proibição pode ampliar riscos. "Impedir que torcedores usem garrafas reutilizáveis aumenta o risco de doenças relacionadas ao calor. Calor e desidratação aumentam o trabalho do coração, e é plausível que isso possa levar a um evento cardíaco. A regra das garrafas de água parece desnecessária, especialmente considerando que pessoas com problemas de saúde preexistentes ou jovens e idosos teriam uma necessidade real de beber livremente, sem pagar custos altos e esperar mais tempo para comprar água", afirmou. A Football Supporters’ Association, entidade que representa torcedores britânicos, também criticou a mudança. "Este é o mais recente caça-níquel. A Fifa nos garantiu que os torcedores teriam a possibilidade de levar sua própria garrafa de água. Os estádios estarão quentes, muitos ao ar livre. É uma mudança muito estranha", afirmou a associação. A orientação atual da Fifa não menciona a disponibilidade de bebedouros gratuitos dentro dos estádios. Com a nova regra, os torcedores só poderão usar pontos de água caso tenham uma garrafa comprada dentro da arena. A Agência de Segurança de Saúde do Reino Unido alerta que os efeitos diretos do calor incluem ataques cardíacos, insolação, tontura, desmaios e exaustão pelo calor. O guia da agência afirma: "A insolação é uma emergência médica. Beba líquidos regularmente ao longo do dia para evitar a desidratação." Em nota, a Fifa afirmou que a decisão foi tomada para "evitar riscos e ferimentos a jogadores e espectadores", e que "garrafas trazidas de fora já são proibidas em vários desses locais por considerações de segurança". A Fifa disse ainda estar comprometida com a segurança de jogadores, árbitros, torcedores, voluntários e funcionários, além de "trabalhar em estreita colaboração com cada comitê de cidade-sede e autoridades locais em fatores de mitigação do calor para torcedores que viajam ao estádio, o que pode incluir recursos como estações de nebulização, ventiladores, pontos de hidratação, tendas de resfriamento e outros ao redor do perímetro do estádio".