Uma disputa que já dura meses entre integrantes do governo Trump e a empresa de inteligência artificial Anthropic dá sinais de arrefecimento em partes do governo dos Estados Unidos, à medida que a companhia se prepara para abrir capital, segundo fontes familiarizadas com a relação. A relação se deteriorou no início deste ano após a Anthropic se recusar a permitir que as Forças Armadas dos EUA utilizassem seus modelos de IA para vigilância doméstica e sistemas de armas totalmente autônomos. Em resposta, o governo incluiu a empresa em uma lista de restrições para segurança nacional, medida que deve entrar em vigor mais tarde neste ano. Em março, o Departamento de Defesa classificou a companhia como um “risco para a cadeia de suprimentos”, a primeira vez que uma empresa americana recebeu essa designação, normalmente reservada a companhias ligadas a países considerados adversários. O rótulo impede dezenas de milhares de contratadas de utilizarem a IA da Anthropic em trabalhos para as Forças Armadas dos EUA. A relação melhorou desde que o diretor-presidente da Anthropic, Dario Amodei, visitou a Casa Branca em meados de abril para discutir uma possível cooperação pela primeira vez desde o início do conflito, embora a empresa ainda esteja contestando judicialmente a classificação de risco para a cadeia de suprimentos. O Departamento de Defesa continua se defendendo “vigorosamente” da ação movida pela Anthropic, disse Franklin Turner, advogado especializado em contratos governamentais. Segundo ele, qualquer dano mais amplo aos negócios da companhia dificilmente diminuirá até que a disputa com o departamento seja resolvida. “Sempre que o governo sinaliza que está lavando as mãos de uma empresa, isso representa um grande problema para essa companhia”, afirmou Turner. Um dos maiores sinais de distensão foi simbólico, mas importante. A Casa Branca convidou Amodei para a cerimônia planejada por Trump em 21 de maio para assinatura de uma ordem executiva sobre inteligência artificial, segundo duas fontes. O evento, porém, foi posteriormente cancelado porque Trump não gostou de algumas das disposições da medida. O presidente assinou a ordem executiva na terça-feira. Em comunicado publicado no X, a Anthropic afirmou que espera “colaborar” com a Casa Branca na implementação da medida. Um porta-voz da Casa Branca não respondeu a um pedido de comentário sobre a relação do governo com a Anthropic. A equipe de imprensa da Anthropic se recusou a comentar. Outras autoridades A Anthropic realizou discussões com o Diretor Nacional de Cibersegurança, Sean Cairncross, sobre o Mythos, seu sistema de IA mais avançado, e sobre formas de proteger infraestruturas críticas contra ataques cibernéticos habilitados por inteligência artificial, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto. A empresa alertou que o Mythos poderia potencializar significativamente esse tipo de ataque. Infraestrutura crítica refere-se a setores vitais da economia americana que merecem proteção especial contra ataques, como bancos, serviços de emergência e hospitais. A relação da Anthropic com o governo Trump melhora justamente quando a companhia se prepara para uma estreia na bolsa que poderia avaliá-la em US$ 1 trilhão. Presidentes-executivos de grandes empresas têm buscado fortalecer relações com a Casa Branca para evitar a insatisfação de Trump. Laços mais fortes podem ajudar a reforçar a confiança dos investidores no curto prazo, afirmou Harrison Rolfes, analista sênior de pesquisa da PitchBook que acompanha empresas de IA. “É uma cicatriz de curto prazo”, disse Rolfes, referindo-se à disputa. Funcionários da Anthropic se reuniram nesta primavera com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, para discutir o Mythos e possíveis ações presidenciais relacionadas à inteligência artificial, segundo uma autoridade americana. As conversas ajudaram a equipe de Trump a desenvolver a ordem executiva de 2 de junho, de acordo com a autoridade. Nela, Trump solicitou que os principais desenvolvedores disponibilizassem seus modelos mais avançados para testes de cibersegurança. As tensões com o Pentágono, porém, não desapareceram completamente. As duas partes ainda discutiam a classificação de risco para a cadeia de suprimentos até esta quinta-feira, quando apresentaram petições ao tribunal. Ao mesmo tempo, funcionários da Anthropic não participaram de uma simulação de ataques cibernéticos conduzida pelo Exército em 27 de abril, segundo o porta-voz do Exército Sean Minton. O exercício contou com executivos de cibersegurança de importantes desenvolvedoras de IA, incluindo a Google e a OpenAI, de acordo com comunicado do Exército. — Foto: Patrick Sison/AP/File Photo
Anthropic e Casa Branca reduzem tensões antes de IPO, dizem fontes
Em março, o Departamento de Defesa classificou a companhia como um “risco para a cadeia de suprimentos”, a primeira vez que uma empresa americana recebeu essa designação









