A empresa paga por uma plataforma de gestão, mas o time resolve tudo pelo WhatsApp. O CRM existe, mas os vendedores atualizam dados só no fim do mês. O software contratado para centralizar processos virou mais uma etapa burocrática na rotina de quem deveria usá-lo.
Esses casos têm um nome pouco glamouroso: desperdício silencioso. E são mais comuns do que as lideranças costumam perceber.
Um levantamento da B2B Stack, baseado em cerca de 19 mil avaliações de usuários de softwares corporativos, mostra que fatores como simplicidade, estabilidade e facilidade de uso passam a influenciar diretamente a percepção de valor das plataformas ao longo do tempo. O estudo, intitulado “Tendências do mercado B2B no Brasil em 2026”, também aponta que profissionais mais próximos da operação tendem a avaliar ferramentas de forma mais crítica do que lideranças, especialmente quando convivem diariamente com lentidão, excesso de etapas e falhas de integração.
Thiago Muniz, professor da Fundação Getulio Vargas e CEO da B2B Stack e Receita Previsível, resume o problema. “Muitas empresas conseguem implementar novas ferramentas rapidamente, mas encontram dificuldade em incorporar essas plataformas à dinâmica real de trabalho das equipes. Sem adaptação operacional, clareza de fluxo e participação dos usuários na rotina de uso, a tecnologia tende a virar apenas mais uma camada de complexidade dentro da organização”, afirma.















