Por Anna Luiza Santiago Duda Santos é a protagonista da trama das 18h da TV Globo, 'A Nobreza do Amor' — Foto: Bruna Castanheira A princesa Alika, herdeira do trono do fictício país de Batanga, é “a concretização de um grande sonho”, define Duda Santos. Aos 25 anos, a atriz vive a protagonista da atual trama das 18h da TV Globo, “A Nobreza do Amor”, que propõe um mergulho cultural na ancestralidade do continente africano. O papel, avalia, desperta sentimentos latentes desde a adolescência: desejo de representatividade, orgulho das origens como mulher preta e alegria pela ressignificação das relações femininas. — A Alika representa um sonho coletivo, que compartilho com a minha família desde pequena. É ver minha irmã de 18 anos assistir a este momento e ter a esperança de um futuro com um espelho com mais representatividade. Precisamos crescer sabendo que podemos ser amadas, que podemos ser lindas, que podemos ser princesas. Nós somos tudo o que falaram a vida toda que não éramos. Vinda de um lar majoritariamente feminino, a atriz fala sobre a parceria com Erika Januza, que interpreta a mãe de sua personagem: — Há um pouco das mulheres da minha família em tudo o que faço, e sou um pouco de todas as personagens que faço. A relação da Alika com a mãe vem muito da generosidade da Erika. É bonito encontrar pessoas que te levam a pensar na importância das relações verdadeiras e do olhar para o outro. Cresci assistindo à Erika e, hoje, posso aprender com ela. O mundo nos colocou (as mulheres) neste lugar da rivalidade, de que a vaga era sempre de apenas uma de nós. Só que, agora, entendemos que, juntas, somos muito mais fortes. A rede de apoio feminina, conta Duda, foi seu primeiro escudo contra as pressões estéticas e sociais: — Dentro de casa, eu era muito protegida. Fui criada em um lar com muitas mulheres que admiro e acho lindas, por dentro e por fora. Só via mulheres parecidas comigo e as achava lindas, então deduzi que também era. A vida e o racismo ainda não tinham me atravessado. Minha mãe criou um conto de fadas para os filhos. Não éramos um lar muito informado ou que conversasse recorrentemente sobre o racismo, mas muito rico em autoestima e amor. Tive uma base sólida de amor, e isso foi importante para que eu me fortalecesse quando as maldades do mundo começaram a me atravessar. A redoma familiar se rompeu quando os portões do colégio se abriram. No ambiente escolar, as dinâmicas de exclusão social e afetiva provocaram os primeiros danos na vida da atriz, um divisor de águas que desestabilizou a percepção de si mesma durante a adolescência. — A nossa construção social e a organização política são culturais e chegam, cedo ou tarde, à escola. Foi o lugar onde mais sofri. Quando criança, o bullying já acontecia e me chateava. Foi a virada de chave para a minha autoestima: na adolescência, lembro de não me achar bonita e de me comparar com as amiguinhas brancas da escola. A fase do beijo na boca também foi confusa, pois todo mundo estava beijando, e eu nunca era a opção. O cenário de rejeição estética e afetiva começou a mudar aos 15 anos, quando a jovem iniciou um relacionamento duradouro. O namoro, somado ao suporte materno, funcionou como ferramenta essencial para que Duda recuperasse a identidade. — Fiquei cinco anos namorando. Ele era um verdadeiro parceiro, que me ajudou a fortalecer esse lugar. A partir dali, comecei a construir a minha autoestima, a entender quem eu era e a compreender a nossa organização social e política, que é a chave principal. Hoje, me acho uma mulher muito bonita, e não digo só fisicamente: acho que sou uma pessoa muito maneira, muito gente boa. Duda conta como lidou com a ascensão profissional e a fama: — No começo, foi confuso. Eu era uma menina de uma comunidade pequena do Rio de Janeiro, criada com as mesmas pessoas a vida inteira e, de repente, o Brasil inteiro me conhecia. Sempre quis ser atriz, mas não sabia como as coisas aconteceriam. Fico feliz que tenha sido dessa forma. Como sou muito tímida, foi difícil lidar com tudo no início; eu sentia muita vergonha e tinha muito medo da exposição. Tenho 25 anos, sei que vou errar. Meu medo era todo mundo me ver errando, eu falar uma besteira e o mundo inteiro assistir. A atriz diz que adotou a política de delimitar fronteiras entre a persona pública e a intimidade: — Precisei entender quais eram os meus limites. Como atriz, o que me dá material para contar histórias é o que vivo. Não posso deixar de viver por medo do caminho. Não me iludo com a fama. A chave para manter o pé no chão é saber exatamente o meu tamanho; não me iludir nem com o muito, nem com o pouco. Neste meio, um dia estamos lá em cima e, no outro, lá embaixo. Recebo um amor do público que me fortalece, mas sei exatamente o meu tamanho para não tirar o pé do chão. Duda fala da decisão de não expor sua vida particular ao público: — Hoje, a terapia e outras coisas me dão mais certeza de quem sou. Entendo a curiosidade das pessoas e respeito; compreendo o desejo de querer saber. Nunca sou grossa quando alguém pergunta, mas gosto de ser só minha também. Há coisas que não quero compartilhar com ninguém; guardo minha família e meus amigos para mim. Depois de falar pela primeira vez, sempre terei que dar satisfação, e não sei se vou querer. Não sei o dia de amanhã e não sei se expor algo vai me machucar. Paralelamente à novela, a atriz poderá ser vista como protagonista do longa-metragem “Funk”, selecionado para a mostra do Festival de Tribeca 2026. A trama acompanha MC Sabrina, uma jovem cantora que busca espaço no funk: — É um filme sobre o funk feminino. As cantoras foram muito apagadas durante muito tempo em um ambiente extremamente masculino, onde ganham menos, como acontece em quase todos os espaços da nossa sociedade. Falamos da favela a partir do lugar do sonho e não temos violência neste filme. Vou cantar e, também, reencontrar uma Duda de 2024 (quando o projeto foi filmado), mas serei gentil com ela. Veja fotos do ensaio de Duda Santos 1 de 10 Ensaio Duda Santos para Revista ELA — Foto: Getty Images 2 de 10 Ensaio Duda Santos para a Revista ELA — Foto: Bruna Castanheira X de 10 Publicidade 10 fotos 3 de 10 Ensaio Duda Santos para a Revista ELA — Foto: Bruna Castanheira 4 de 10 Ensaio Duda Santos para a Revista ELA — Foto: Bruna Castanheira X de 10 Publicidade 5 de 10 Ensaio Duda Santos para a Revista ELA — Foto: Bruna Castanheira 6 de 10 Ensaio Duda Santos para a Revista ELA — Foto: Bruna Castanheira X de 10 Publicidade 7 de 10 Ensaio Duda Santos para a Revista ELA — Foto: Bruna Castanheira 8 de 10 Ensaio Duda Santos para a Revista ELA — Foto: Bruna Castanheira X de 10 Publicidade 9 de 10 Ensaio Duda Santos para a Revista ELA — Foto: Bruna Castanheira 10 de 10 Ensaio Duda Santos para a Revista ELA — Foto: Bruna Castanheira X de 10 Publicidade