Fechamento gerou críticas de familiares e entidades de direitos humanos por falta de informações sobre o destino dos presos A prisão El Helicoide, em Caracas, na Venezuela — Foto: Yuri Cortez / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 05/06/2026 - 06:51 Fechamento de El Helicoide na Venezuela gera críticas e incertezas O complexo penitenciário El Helicoide, na Venezuela, conhecido por denúncias de tortura e perseguição política, foi esvaziado, com presos transferidos para outras prisões. O fechamento gerou críticas de familiares e organizações de direitos humanos devido à falta de informações sobre o destino dos detentos. Apesar da medida ser vista como um avanço, há apelos por mudanças na política repressiva do Estado. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O centro de detenção El Helicoide, um dos locais mais associados a denúncias de tortura e perseguição política na Venezuela, ficou praticamente vazio na quinta-feira após a transferência de seus detentos para outras prisões do país. Projetado na década de 1950 para funcionar como um shopping center, o edifício acabou transformado em centro de detenção e se tornou um dos símbolos mais conhecidos da repressão estatal venezuelana, especialmente contra opositores do governo. Embora o fechamento da unidade tenha sido celebrado por ativistas de direitos humanos, familiares de presos denunciaram a falta de transparência no processo e criticaram a transferência dos detentos para penitenciárias distantes, o que dificulta visitas e acompanhamento das condições de detenção. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou na terça-feira que a "infame prisão El Helicoide foi fechada", embora ainda houvesse presos no local naquele momento. As transferências começaram na quarta-feira, segundo familiares ouvidos pela AFP. As autoridades venezuelanas, porém, não divulgaram informações detalhadas sobre o destino dos detentos, aumentando a preocupação entre parentes e organizações de direitos humanos. O deputado governista Jorge Arreaza, que preside a comissão parlamentar responsável por supervisionar o processo de anistia, rebateu as críticas. "A campanha contra El Helicoide foi feroz: o pior 'centro de tortura' desde a Idade da Pedra. Medidas estão sendo tomadas para fechá-lo e transformá-lo. Como consequência inevitável, os detentos são transferidos para outros centros de detenção. Mesmo assim, fazem escândalo. Quem consegue entendê-los?", escreveu Arreaza na rede X. Familiares denunciam incerteza sobre paradeiro dos presos Andreína Baduel, integrante do Comitê pela Liberdade dos Presos Políticos (Clippve), afirmou que a prisão foi completamente esvaziada. — Totalmente vazio; não restaram nem prisioneiros detidos por outros delitos nem presos políticos — disse à AFP. Baduel é filha do general Raúl Baduel, ex-ministro da Defesa de Hugo Chávez que morreu em El Helicoide em 2021. Durante a noite, integrantes do comitê voltaram ao local para uma vigília que já dura 147 dias em defesa da libertação dos presos políticos. "Continuamos insistindo: não há razão para que esses indivíduos estejam detidos, muito menos para que suas famílias sejam submetidas à incerteza de não saber como eles estão", afirmou o grupo na rede X. A vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, havia anunciado o fechamento da prisão em janeiro. Durante a quinta-feira, a área ao redor do complexo apresentava movimento reduzido. Um agente que fazia a segurança do local disse a um jornalista da AFP que "não sobrou ninguém" dentro da instalação. Na véspera, familiares reunidos diante da prisão relataram desespero ao tentar obter informações sobre o paradeiro dos parentes transferidos, enquanto eram mantidos à distância por agentes de segurança. Organizações cobram mudança na política de repressão O Observatório Venezuelano de Prisões (OVP) manifestou preocupação com a ausência de informações oficiais sobre as transferências. Segundo a organização, as autoridades não divulgaram uma lista dos presos removidos. A ONG estima que mais de 70 pessoas estavam detidas em El Helicoide. O ex-deputado Renzo Prieto, que passou quatro anos e 23 dias na prisão, afirmou que o fechamento do local só terá significado se vier acompanhado de mudanças mais amplas. — Além do fechamento dessa prisão e de outros centros de tortura, é fundamental que o Estado mude sua política repressiva. Caso contrário, é apenas um teatro — acrescentou. Prieto relembrou as condições precárias enfrentadas pelos detentos durante sua passagem por El Helicoide. Segundo ele, havia pessoas dormindo nas escadas e convivendo com "ratos que, às vezes, mordiscavam os dedos de seus pés".