Um dos segmentos que interessam aos Estados Unidos é o de equipamentos usados na área de saúde O presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva — Foto: Saul Loeb/AFP e Brenno Carvalho/Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 04/06/2026 - 21:50 Governo Lula negocia com EUA para evitar tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros O governo Lula busca negociar com os EUA para evitar um tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros, com prazo até 15 de julho. A negociação inclui interesses americanos em setores como saúde e tecnologia. As tarifas, baseadas em práticas comerciais consideradas desleais, não entram em vigor imediatamente. O governo brasileiro vê mais facilidade em reverter a taxa de 25% do que a de 12,5% relacionada ao "trabalho forçado". Concessões tarifárias e participação em reuniões internacionais são estratégias consideradas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva que acompanham as conversas com os Estados Unidos já avaliam a data do dia 15 de julho como um prazo definitivo para os EUA e, portanto, alguma decisão deverá ocorrer até lá. Essa pessoa diz, no entanto, que a expectativa é que as negociações possam avançar até esse prazo em busca de uma alternativa para evitar o tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros. Nesta semana, os EUA divulgaram dois relatórios sobre investigações conduzidas com base na Seção 301, da Lei de Comércio. Na primeira delas, anunciada na terça-feira, o governo Trump impôs um tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros, em um processo sobre práticas comerciais que considera desleais, que vai do uso do Pix, passando por questões de propriedade intelectual, a decisões judiciais e desmatamento. O relatório pondera que determinados atos, políticas e práticas do governo brasileiro são “irrazoáveis” e “oneram ou restringem” o comércio dos EUA com o país. No dia seguinte, Washington anunciou a proposta de uma tarifa de até 12,5% a 60 países por supostas falhas relacionadas ao “trabalho forçado”, o que significaria que o Brasil, por exemplo, não impede a entrada de produtos no país que desrespeitam essas regras. O relatório também aponta irregularidades no país em segmentos específicos. O movimento foi interpretado por economistas e especialistas em comércio exterior como uma tentativa de Trump de reerguer seu “muro tarifário” depois que a Suprema Corte dos EUA derrubou em fevereiro o tarifaço anunciado pelo republicano em 2025. Em ambos os casos, as tarifas não entrarão em vigor imediatamente. Serão submetidas a audiências, e espera-se uma decisão para o mês de julho. Na avaliação de integrantes do governo, será mais fácil reverter por meio de negociação a eventual taxação de 25% contra o Brasil do que a de 12,5% anunciada contra uma série de parceiros comerciais de Washington. A avaliação do governo brasileiro é que, como a sugestão de taxação relativa a trabalho forçado atinge países inclusive alinhados aos EUA, como a Argentina, seria difícil obter um acordo para livrar o Brasil. A taxação relacionada ao trabalho forçado, porém, pode servir de argumento nas negociações para impedir a aplicação da tarifa de 25%. É para evitar a tarifa de 25% que o Brasil tem até o dia 15 de julho, data definida pelo governo americano. Nessas conversas, já estão no radar do governo brasileiro alguns setores de interesse dos americanos que podem ser levados à mesa de negociações como contrapartida para evitar que a taxação seja de fato implementada. De acordo com essas pessoas que acompanham as negociações, há interesses dos americanos em aumentar o mercado no Brasil para produtos fabricados nos EUA como equipamentos usados na área de saúde e equipamentos do setor de tecnologia da comunicação, como hardwares. Também não estaria descartada a possibilidade de o Brasil fazer concessões tarifárias nessas negociações. Apesar de o governo brasileiro ter reafirmado que poderia usar a Lei de Reciprocidade, um auxiliar de Lula diz que esse não deve ser o caminho escolhido no momento, funcionando por ora apenas como alternativa. O próprio Lula sinalizou na quarta-feira que pretende comparecer à reunião do G7. Seria um caminho também para um eventual encontro entre presidentes, embora não haja qualquer agenda marcada neste sentido.
Governo Lula tenta negociar com EUA até 15 de julho para evitar tarifaço: veja setores quem podem ser incluídos nas conversas
Um dos segmentos que interessam aos Estados Unidos é o de equipamentos usados na área de saúde















