O Presidente da República, António José Seguro, alertou nesta quinta-feira que o envelhecimento do país constitui uma “bomba-relógio” e sublinhou que a solidariedade da sociedade civil “não pode nunca substituir a responsabilidade primeira do Estado”.Falando em Braga, na abertura do 15.º Congresso Nacional das Misericórdias, Seguro disse que Portugal “deve dar uma resposta melhor do que tem sido dada” e avisou que não deixará de lembrar o Estado que tem de cumprir as suas obrigações.“Manuel Lemos [presidente da União das Misericórdias] chama-lhe tsunami social, eu tenho utilizado a imagem da bomba-relógio, mas ambos chamamos a atenção para os efeitos dramáticos das alterações demográficas no nosso país e para o aumento da pressão do envelhecimento sobre os sectores da saúde e da segurança social, duas áreas em que já vivemos situações críticas”, referiu.Lembrou que as misericórdias, mesmo com dificuldades crescentes, têm dado um contributo fundamental para ajudar a suprir os problemas que vão surgindo, mas vincou que é ao Estado a quem cabe, em primeira instância, assegurar as respostas necessárias.A responsabilidade primeira é do Estado“Estas são realidades que o Estado conhece, agora e no passado recente. E é aqui que tenho de ser directo, sem dramatismos e sem ambiguidade: a solidariedade da sociedade civil não pode nunca substituir a responsabilidade primeira do Estado português”, referiu.