A receita de royalties recebida pelo governo do Rio de Janeiro cresceu quase seis vezes acima da inflação nos últimos 25 anos, desde que a Lei do Petróleo inaugurou a era das concessões no setor petrolífero. O valor atingiu R$ 26 bilhões em 2025, o equivalente a 42% do que o estado arrecada com o ICMS. Neste ano, o montante poderá atingir R$ 34 bilhões, na esteira da alta do petróleo no mercado internacional.

No entanto, essa dependência do petróleo e dos royalties, em vez de contribuir para a superação da crise estrutural das finanças fluminenses, tem produzido um efeito contrário, aponta o estudo dos economistas Sérgio Gobetti e Luana Rebouças.

Para Gobetti, o Rio de Janeiro apresenta sintomas da chamada doença holandesa ou "maldição dos recursos naturais". Esse fenômeno econômico retrata a situação em que a abundância de receitas decorrente da expansão das atividades extrativas, como no setor de petróleo e gás, não é gerida de modo adequado e acaba prejudicando o resto da economia.

O termo surgiu na década de 1970, quando a Holanda descobriu grandes reservas de gás natural. À época, a valorização da moeda, o florim, aumentou o custo de outros produtos holandeses no exterior, levando ao declínio da indústria manufatureira.