O ator e cantor francês Patrick Bruel — Foto: Alain Jocard / AFP As cinco últimas apresentações em Paris da peça "Deuxième partie", estrelada pelo ator e cantor Patrick Bruel, alvo de diversas investigações por estupro, foram canceladas, anunciou nesta quinta-feira (4) a direção do Teatro Edouard VII. A decisão foi tomada "em acordo com os atores", informou o teatro em uma mensagem publicada em seu site, dirigida aos espectadores que haviam reservado ingressos para uma das apresentações, inicialmente programadas para acontecer até domingo. Oito mulheres acusam Bruel de agressão sexual em crimes que teriam acontecido entre 1992 e 2019, segundo revelou uma reportagem do site investigativo francês Mediapart. O artista se diz inocente. Em abril, o Ministério Público de Paris confirmou ao Le Monde que uma investigação havia sido aberta para apurar possíveis crimes sexuais de Bruel. A primeira denúncia foi feita em 12 de março, por Daniela Elstner, diretora-geral da organização de cinema Unifrance. Ao Mediapart, Elstner contou que Patrick a estuprou uma vez dentro do seu carro, e outra vez em 1997, durante o Festival de Cinema Francês de Acapulco, no México, quando ela tinha 26 anos. Houve uma segunda denúncia de estupro, feita de maneira anônima, cujo crime teria acontecido durante o Festival de Cinema Britânico de Dinard, em 2012, quando o artista atuava como presidente do júri. O advogado de Bruel, Christophe Ingrain, disse ao Mediapart que seu cliente “nunca forçou um ato sexual ou uma relação sexual com ninguém”. 'Homem que saqueou minha adolescência' Patrick Bruel também foi acusado de estupro pela apresentadora francesa Flavie Flament. A suposta agressão teria ocorrido quando ela tinha 16 anos. Ele também nega as acusações. “Tenho novamente um encontro com meu passado. E com um homem que saqueou minha adolescência. Estou apresentando uma denúncia contra Patrick Bruel por estupro. Para que a verdade venha à tona, para que a justiça seja feita, para que os olhares deixem de se desviar, uno minha voz à das outras mulheres que estão se levantando na França, na Bélgica e no Canadá. Agora, espero que a Justiça ouça nossa palavra”, escreveu Flament em post nas redes sociais. No mês passado, Bruel publicou em seu perfil no Instagram um longo texto no qual nega ter cometido qualquer prática sexual criminosa contra Flament ou contra qualquer outra mulher. Ele diz que não havia se pronunciado pois escolheu falar somente à Justiça. "Mas hoje não posso mais deixar sem reação coisas tão contrárias ao que eu sou, e permitir que se espalhem alegações, rumores às vezes absurdos e repugnantes, em detrimento da verdade", continuou. Bruel diz que conheceu Flavie Flament nos anos 1990, que a carreira dela estava começando e que ambos os caminhos se cruzaram. "Essa relação não foi violenta, nem coercitiva, nem ardilosa. Não houve estupro, nem drogas. Eu jamais a maltratei, nem a abandonei diante de um ‘hotel sórdido’. (...) Não entendo por que, subitamente hoje, Flavie Flament conta uma história diferente e sórdida, e apresenta uma denúncia contra mim. Sei apenas que essa história é falsa. Nunca forcei uma mulher. Nunca droguei, manipulei ou procurei subjugar quem quer que seja. Nunca me servi da minha notoriedade para abusar de alguém e obter relações sem consentimento", afirmou o ator. Por fim, Patrick Bruel criticou as "várias vozes" que pediram sua condenação "na praça pública, sem julgamento", e disse que confia na Justiça para esclarecer essas acusações. "Lutarei diante dela para defender a verdade", concluiu, afirmando ainda, que vai continuar exercendo seu trabalho.