A esperança dos democratas americanos de recuperar a maioria do Senado passava obrigatoriamente, até poucos dias atrás, pelo rural estado do Maine.

Mas a candidatura do criador de ostras e veterano militar Graham Platner foi atingida pela notícia de que sua mulher, Amy Gertner, havia informado à campanha que descobrira mensagens de conteúdo sexual enviadas a várias mulheres no primeiro semestre do ano passado. Os dois se casaram em 2023.

O candidato já trazia bagagem de controvérsias, como uma tatuagem associada a um símbolo nazista —que ele cobriu— e conteúdo de baixaria sexual já apagado numa conta do Reddit.

Na terça-feira (2), Platner foi a Washington tentar apagar o incêndio com a liderança democrata. Ao sair do encontro, o líder do partido no Senado, Chuck Schumer, disse que conta com ele para derrotar a republicana Susan Collins. Ou seja: "esperamos que não haja mais revelações (parece que há), mas, se você não foi 100% sincero, não vamos defendê-lo".

A política do Maine não costuma produzir dramas para holofotes nacionais, mas Platner capturou atenção imediata com um vídeo inicial de campanha que enfatizava classe e desigualdade, não pautas identitárias. Nos programas de notícias locais, nota-se que os eleitores do estado não manifestam a indignação da turma que está pedindo "meus sais!" no eixo Nova York–Washington. A impressão é que o vazamento das mensagens pesa pouco sobre a escolha dos eleitores.