Pedro Passos Coelho colocou um travão nas críticas públicas aos rumos da governação, mas não ignorou o contexto de greve geral e de discussão da reforma laboral para apelar a uma “mobilização muito grande dos sindicatos, dos trabalhadores, das empresas, dos empreendedores e do Estado” para as alterações que o mercado laboral vai sofrer com a revolução tecnológica. Já sobre se vai responder ao desafio do líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, e marcar presença no congresso social-democrata: “Eu li, eu li, mas não quero responder a isso.”O desafio que lhe foi colocado foi o de apresentar um livro. Por cima da sua cabeça, num ecrã de um pavilhão da Feira do Livro de Lisboa, a capa com umas letras azuis a destacar o título O que fazer e não fazer para ter sucesso, do empresário Ricardo Costa. O livro, promete a sua capa, levará o leitor a conhecer “50 atitudes que fazem a diferença”.A opinião pública tem divergido sobre se as críticas de Pedro Passos Coelho têm sido ou não bem-sucedidas no influenciar da política nacional, mas uma coisa não se pode negar: têm tido sucesso em marcar a agenda mediática. Uma semana depois do estrondo que a sua última intervenção causou, com a crítica aos “políticos do mainstream” que, ao vestirem a “casaca” do populismo, correm o risco de se tornarem “prostitutos sem carácter”, o antigo primeiro-ministro tirou o pé do acelerador.Em dia de greve geral, Passos escolheu citar um relatório da Comissão Europeia sobre produtividade da economia em Portugal e que “continua a insistir que nós continuamos com esse crónico problema e continuamos a comparar mal com os outros países europeus”.“Os desafios são muitos, não são sequer só os que estão relacionados mais directamente com as relações laborais e, portanto, com a lei laboral e com a reforma laboral”, atirou, notando que estes desafios “exigem” uma “mobilização muito grande dos sindicatos, dos trabalhadores, das empresas e dos empreendedores, do Estado”.“Todos não serão demais para pôr em cima da mesa propostas de solução que tornem realmente a nossa economia (…) numa economia mais produtiva, mais competitiva”, disse, sublinhando: “Temos mesmo de mudar de atitude.”De resto, Passos ao elogiar o livro afirmou que ele pode ajudar “quem está no Governo do país, das empresas e das organizações” a “mudar de atitude”. “Procurar sempre o que há de melhor nos outros para que eles os possam retribuir com o melhor que têm”, concluiu antes de abandonar a feira sem responder se irá ou não ao congresso do PSD, como desafiou Hugo Soares.