Trump afirma que EUA devem ‘assumir’ Cuba em breveDíaz-Canel respondeu à ameaça: ‘Vamos defender cada palmo do nosso território’. Crédito: US Network Pool/APGerando resumoCuba celebra nesta quarta-feira, 3, o aniversário de 95 anos do ex-ditador Raúl Castro, figura central no aumento das tensões entre a ilha e os Estados Unidos, que o indiciaram recentemente.PUBLICIDADEO Partido Comunista de Cuba publicou vários vídeos nas redes sociais desde terça-feira, 2, em homenagem à história política de Castro, com relatos de apoiadores do ex-ditador.“Para falar de Cuba, é preciso falar de Raúl”, afirmou a diretora do Coro Nacional de Cuba, Digna Guerra. “Ele representa a identidade cubana, representa o povo cubano, representa a revolução, que para nós tem um significado imenso. Obrigada por existir.”O ex-ditador de Cuba Raúl Castro completa 95 anos nesta quarta-feira, 3. Foto: Andre Dusek/Estadão - 17/07/2014Em publicação no X, a Embaixada de Cuba nos EUA também parabenizou o aniversariante. “Poucas pessoas têm o privilégio, a saúde, o estoicismo - e, se quiserem, podem acrescentar também: aquela teimosia tipicamente cubana - de chegar aos 95 anos de idade”, escreveu.PublicidadeDuas semanas antes de seu aniversário, Castro foi indiciado por homicídio nos EUA por um caso que envolve um incidente ocorrido em 1996, quando o ex-ditador ainda era ministro da Defesa, no qual duas aeronaves operadas pelo grupo humanitário Brothers to the Rescue - formado por pilotos cubanos exilados e radicados em Miami - foram derrubadas pela Força Aérea de Cuba. O episódio deixou quatro pessoas mortas e ampliou as tensões diplomáticas entre Havana e Washington na época.A medida não foi bem recebida por Cuba. O presidente da ilha, Miguel Díaz-Canel, afirmou que ela era uma “ação política sem base jurídica”.O indiciamento aumentou a tensão na relação entre os dois países. Os EUA pressionam por uma mudança de regime em Havana e acusam o atual governo de desviar bilhões de dólares, enquanto Cuba teme uma operação americana para derrubar Díaz-Canel.Castro não fez comentários públicos sobre o indiciamento. Ele foi visto pela última vez em 1º de maio, durante um ato que reuniu milhares de cubanos. O ex-ditador estava ao lado de Díaz-Canel e, como de costume, vestia um uniforme militar verde-oliva.PublicidadeLeia maisQuem é Raúl Castro, ex-ditador de Cuba acusado de homicídio pelos EUAChina critica decisão dos EUA de indiciar Raúl Castro e acusa país de ‘abuso dos meios judiciais’Acusação contra Raúl nos EUA pode criar base para operação americana em Cuba, dizem analistasApesar de ter deixado oficialmente a política em 2021, ele ainda atua como general das Forças Armadas Revolucionárias de Cuba e tem uma cadeira na Assembleia Nacional.Ele assumiu a presidência interinamente em 2006, quando seu irmão, Fidel Castro, líder da Revolução Cubana, ficou doente. Em 2008, ele foi oficialmente eleito pela Assembleia Nacional.Nos anos seguintes, Castro mostrou-se mais liberal do que o irmão, permitindo a operação de empresas privadas em Cuba. Ao mesmo tempo, o então presidente dos EUA, Barack Obama, suspendeu restrições às remessas e às viagens familiares e permitiu que cidadãos americanos viajassem para Cuba sob determinadas condições.Em 2015, os EUA e Cuba restabeleceram relações diplomáticas e reabriram suas embaixadas. Um ano depois, Obama viajou à ilha para se encontrar com Castro. Nesse mesmo ano, os voos comerciais entre os dois países foram retomados.PublicidadeSob a gestão de Castro, Cuba também iniciou negociações com a Rússia, em junho de 2014, que levaram ao cancelamento de 90% de uma dívida multibilionária herdada da época da União Soviética.Em 2018, Castro deixou a presidência nas mãos de Díaz-Canel, marcando a primeira vez em décadas que uma pessoa sem o sobrenome “Castro” assumiu o controle da ilha.
Cuba comemora os 95 anos de Raúl Castro em meio à tensão com os Estados Unidos
Ex-ditador faz aniversário duas semanas após ter sido indiciado por homicídio nos EUA












