Os contratos futuros de ouro encerraram em forte queda nesta quarta-feira (3), refletindo o aumento na percepção de risco geopolítico e inflacionário no Oriente Médio após os novos ataques entre Estados Unidos e Irã. As informações contraditórias entre representantes do governo americano e da mídia iraniana elevaram o grau de incerteza entre os investidores quanto ao grau de progresso nas tratativas, o que levou o petróleo a avançar pela quarta sessão consecutiva. Na Comex, a divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), os contratos futuros de ouro com entrega para agosto encerraram em queda de 1,17%, cotados a US$ 4.466,9 por onça-troy. As hostilidades no Golfo Pérsico foram retomadas com ataques iranianos ao Kuwait, enquanto os EUA realizaram ofensivas perto do Estreito de Ormuz. O presidente Donald Trump veio a público mais cedo para afirmar que as negociações estavam avançando e que Teerã teria concordado em não ter armas nucleares. As falas do republicano, porém, surtiram pouco efeito nos mercados. Os dados mais fortes do que o esperado do ADP também contribuíram para ampliar o movimento de alta dos Treasuries e do dólar no exterior pressionando, ainda mais, o desempenho do ouro hoje. O relatório mostrou a abertura de 122 mil pelo setor privado dos EUA em maio, acima do consenso de alta de 110 mil vagas. “Se surgirem mais evidências de resiliência econômica esta semana, ou se observarmos um aumento das tensões e uma elevação ainda maior dos preços do petróleo, o ouro poderá cair para a faixa dos US$ 4 mil”, disse Fawad Razaqzada, analista de mercados do Forex.com. Uma leitura mais forte do “payroll” na sexta-feira (5) contribuiria com a narrativa de um Federal Reserve (Fed) mais restritivo. — Foto: Chris Ratcliffe/Bloomberg