Portugal foi eleito, à primeira volta e pela quarta vez, como membro não-permanente do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. A votação decorreu esta quarta-feira, em Nova Iorque, e mereceu rápida reacção, em Lisboa, por parte do primeiro-ministro que sublinhou: "Este é um dia histórico para Portugal, é um dia de grande reconhecimento da nossa importância à escala internacional."A eleição deixou o ministro dos Negócios Estrangeiros Paulo Rangel visivelmente satisfeito. “É a primeira vez que Portugal é eleito à primeira volta. Isto mostra o trabalho que foi feito ao longo destes 13 anos, por vários governos, por vários presidentes, mas em especial aquele que foi feito nestes últimos dois anos, que foram decisivos para esta vitória. Isto diz muito sobre como a nossa política externa é apreciada. São dois anos muito desafiantes, a diplomacia portuguesa fez tudo e mais alguma coisa para esta vitória à primeira volta e está de parabéns”, disse Paulo Rangel, em Nova Iorque, na sede da ONU. “Tenho muito orgulho de estar à frente do ministério após estes dois anos. A todos os órgãos de soberania, muito obrigado”.O primeiro-ministro Luís Montenegro reagiu à “vitória” na residência oficial, interrompendo o Conselho de Ministros de propósito para vincar a “ocasião histórica” com um resultado “à primeira volta”. “Portugal tem no plano internacional força muito superior à nossa dimensão económica e demográfica”, afirmou o primeiro-ministro, notando o reconhecimento "da nossa linha de lealdade e de visão estratégica ao nível multilateral”."Esta vitória dignifica Portugal e projecta-nos no mundo. Portugal é um país credível, é um país respeitado, é um país que tem intervenção e participação ao nível internacional e entendemos este mandato como mais uma demonstração precisamente desse nosso histórico", realçou Luís Montenegro desde São Bento.Questionado sobre a postura que o país vai ter, sobretudo tendo em conta o histórico alinhamento estratégico com os Estados Unidos, Luís Montenegro contornou a pergunta. Vincou que "os últimos anos mostraram que as Nações Unidas perderam capacidade" e que, "independentemente das alianças de cada um, nós manteremos esta visão universal, esta visão de reconhecimento das Nações Unidas enquanto palco de aproximação".O primeiro-ministro defendeu que, enquanto membro do Conselho de Segurança, o país vai bater-se pela "valorização do multilateralismo, da resolução com esse espírito multilateral dos grandes conflitos", conciliando-a com "a preocupação com a dignidade das pessoas, os direitos fundamentais, a preocupação com a preservação do meio ambiente, com a gestão das alterações climáticas e da sustentabilidade". "Tentaremos ser um pilar de aproximação das nações", sintetizou Montenegro, falando no período "mais desafiante dos últimos anos" para a ordem internacional.Já através de um comunicado, o Presidente da República António José Seguro disse que esta era “uma conquista que enaltece todo o povo português”.Portugal, que faz parte da ONU desde 1955 e que já fora membro não-permanente do Conselho de Segurança em três ocasiões (1979/1980; 1997/1998 e 2011/12), competia pelas duas vagas com a Alemanha e com a Áustria, tendo somado 134 votos a favor, à frente de austríacos (131) e alemães (104), que ficaram fora das escolhas.O Conselho de Segurança tem como membros permanentes os EUA, a China, a Rússia, a França e o Reino Unido, todos eles como direito de veto, aos quais se juntam dez membros não-permanentes, eleitos com mandatos de dois anos. Tem como responsabilidades zelar pela “manutenção da paz e segurança internacionais” e determinar “a existência de uma ameaça à paz ou um acto de agressão” que procurará resolver “usando meios pacíficos”. Segundo a ONU, este órgão também pode “recorrer à imposição de sanções ou até autorizar o uso da força para manter ou restaurar a paz internacional”.