A Raízen divulgou nesta quarta-feira uma minuta do seu plano de recuperação extrajudicial para embasar a decisão dos debenturistas e detentores de certificados de recebíveis do agronegócio (CRA) em assembleias que serão realizadas nesta quarta-feira (3). Os termos da proposta de reestruturação financeira apresentada ao mercado abrangem injeções de capital, renegociação de passivos, mudanças na governança e uma profunda reorganização societária. O cerne da operação estabelece um aporte de R$ 3,5 bilhões a ser realizado pela Shell no fechamento da operação, ao preço de R$ 0,25 por ação. Há também a previsão de um potencial aporte adicional de R$ 500 milhões pela Aguassanta Investimentos. Na chamada “Opção A”, 45% da dívida total reestruturada será convertida em ações, também ao preço de R$ 0,25, mediante o recebimento de Units, compostas por uma ação ordinária e uma preferencial, por parte dos credores. Os 55% restantes da dívida reestruturada serão transformados em novos instrumentos de crédito alocados em duas frente, Raízen Combustíveis, que absorverá 37,4% do montante, e Raízen Energia, com 17,6%. Na “Opção B”, a Raízen propõe aos credores um deságio de 80% sobre o valor do crédito, com o saldo remanescente pago em parcela única com vencimento em 31 de março de 2047. A “Opção C” oferece um pagamento à vista equivalente ao menor valor entre 75% dos respectivos créditos ou R$ 9.750. Essa modalidade, no entanto, possui um teto financeiro de R$ 150 milhões, e caso a demanda supere o limite, a alocação priorizará os detentores dos menores créditos. No âmbito estratégico e operacional, a reestruturação culminará em uma cisão da empresa em Raízen Energia, focada nas operações de açúcar e etanol, e Raízen Combustíveis, com segregação dos negócios prevista para ocorrer até o fim de 2027. A diretoria também deverá estruturar um plano de desinvestimento para ativos não essenciais e iniciar um processo competitivo para buscar um parceiro investidor, ou realizar a venda de ações, da Raízen Combustíveis, com o objetivo de reduzir a alavancagem. O conselho de administração da Raízen será reestruturado para contar com sete membros, sendo quatro deles, incluindo o presidente, nomeados pelos credores apoiadores e três pelos acionistas contribuintes. A Shell manterá ao menos um representante no conselho enquanto o contrato de licenciamento da marca estiver vigente. A atual diretoria executiva será mantida, e o atual diretor financeiro, Lorival Luz, assumirá paralelamente a função de diretor de reestruturação, ou Chief Restructuring Officer (CRO). A concretização de todo o plano tem fechamento previsto para até 31 de março de 2027 e está condicionada a fatores predeterminados. Entre as condições precedentes obrigatórias, está a aprovação e realização de uma transação tributária para resolução dos passivos federais da companhia. — Foto: Reprodução