No início deste ano, o ministro da Defesa da Colômbia procurou o governo Trump com um pedido: o governo dos Estados Unidos poderia impor sanções financeiras à indústria ilegal de ouro da Colômbia?

A mineração ilícita de ouro financia o Clã do Golfo, um cartel de drogas que o governo dos EUA havia designado como grupo terrorista. Washington já havia colocado líderes do cartel em uma lista suja financeira. Estender as sanções aos comerciantes ilegais de ouro ajudaria a Colômbia a combater o cartel.

Mas o pedido colocou o Departamento do Tesouro em uma situação incomum: há muitos anos, os EUA vinham comprando ouro que saía da mesma indústria que estavam sendo solicitados a sancionar.

O pedido, sobre o qual os EUA não tomaram nenhuma medida, destaca fragilidades em ambas as pontas da cadeia global de suprimentos de ouro ilícito.

Primeiro, os militares colombianos têm sido praticamente impotentes para impedir que criminosos devastem centenas de quilômetros quadrados de terra de uma só vez, pagando líderes de cartéis e até invadindo uma base militar em busca de ouro. E Washington fez tão poucas verificações de seu próprio suprimento de ouro que o ouro do cartel acabou em moedas vendidas pela Casa da Moeda dos EUA.