Nem tudo se pode em nome do respeito à diferença. A exemplo disso, a normalização da obesidade. Um terço da população mundial é obesa. O problema é particularmente grave nos Estados Unidos. Segundo levantamento Behavioral Risk Factor Surveillance System de 2024, 40% dos adultos americanos estão obesos com impacto direto na saúde – risco de diabetes, hipertensão, disfunção cardíaca e câncer.
No Brasil, o número de adultos com obesidade cresceu 118% entre 2006 e 2024, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde. No mesmo período, houve crescimento significativo de diabetes (135%) e hipertensão (31%). São dados expressivos da relação entre a obesidade e a doença.
Ninguém ignora que a indústria de fast food, que cresceu exponencialmente, seja responsável. No ano de 1970, os americanos gastavam US$ 6 bilhões por ano em fast food; em 2020, US$ 278 bilhões. Mas a obesidade também resulta de uma relação perversa com o corpo, que exclui a possibilidade da contenção. A única lei do desejo do perverso é o prazer, ao qual ele se entrega sem questionamento algum.
A cultura alimentar americana, mundialmente difundida, incita ao consumo, contrariamente à francesa, que valoriza o ato de degustar. A ponto de o escritor Cyrano de Bergerac imaginar um povo que se nutria apenas de sabores. A ingestão compulsiva de alimentos é contrária à cultura da França, onde comer não é sinônimo de se alimentar, implica a fantasia que a comida propicia e a conversa. Comer, para os franceses, é simultaneamente degustar, comportar-se à mesa segundo determinadas regras e trocar ideias. Trata-se de um ato que não tem só a ver com a necessidade biológica, é também espiritual.














