O PicPay teve lucro ajustado de R$ 169,4 milhões no primeiro trimestre, com queda de 10% no trimestre de 2026 e alta de 92% em um ano. A receita líquida foi de R$ 3,512 bilhões, com expansão de 17% e 70%, na mesma base de comparação. A fintech chegou a 68,6 milhões de clientes, com expansão de 2% e 11%, respectivamente. O lucro superou o “guidance” (projeção) que o próprio PicPay tinha dado para o primeiro trimestre, que era de R$ 155 milhões. Já a projeção para a receita era de R$ 3,150 bilhões. Para o segundo trimestre, o guidance é de lucro de R$ 245 milhões. A carteira de crédito bateu R$ 28,043 bilhões, um crescimento de 17% em três meses e 116% em um ano. A inadimplência subiu para 8,9% no primeiro trimestre, de 7,2% no quarto e 4,0% no primeiro trimestre. Já o índice de atrasos de curto prazo (15 a 90 dias) ficou em 8,4%, de 7,6% e 6,2%. “Ultrapassamos o guidance nos principais indicadores, refletindo a execução consistente da nossa estratégia de crescimento com rentabilidade, baseada em escala, disciplina financeira e aprofundamento do relacionamento com os clientes. Estamos confiantes em um segundo trimestre positivo”, afirma Eduardo Chedid, CEO do PicPay. Segundo ele, a rentabilidade caiu para 15,5%, de 24,4% no trimestre anterior, mas isso se deve às consequências do aumento de capital em função da oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês). “Em dois ou três trimestres devemos consumir esse excesso de capital e o ROE volta para acima de 20%.” Sobre a qualidade dos ativos, Chedid diz que há uma sazonalidade negativa e que é mais importante acompanhar a entrada de créditos em estágio 2 e 3 do que o índice de atrasos em si. “A formação do estágio 3 [3,9%] veio exatamente no ‘range’ que a gente estava esperando.” Segundo ele, com o amadurecimento da carteira e a mudança no mix, o índice de atrasos deve continuar subindo, mas o grupo está confortável com a qualidade dos ativos. “Temos um portfólio bastante resiliente. O NPL [índice de inadimplência] por safra está estável ou até caindo em alguns produtos.” André Cazotto, diretor de relações com investidores, estratégia e M&A do PicPay, aponta que houve um avanço relevante em produtos colateralizados e que a fintech tem focado em clientes mais maduros nas linhas sem garantia. “Essa estratégia sustenta métricas de qualidade de ativos mais estáveis a um custo de risco controlado, mesmo com a expansão da carteira. A estratégia não é otimizar indicadores isolados, mas maximizar o retorno precificando o risco”, diz. A receita média por cliente ativo (Arpac) atingiu R$ 80,7 no trimestre, crescimento de 55% em relação ao ano anterior e quase quatro vezes superior ao custo de servir, de R$ 20,3. O volume total de pagamentos (TPV) cresceu 24%, alcançando R$ 134 bilhões. A fintech lembra que foi firmada recentemente uma parceria com a TIM, estruturada como um acordo de distribuição em duas vias: de um lado, o PicPay passará a oferecer os planos de telecom da TIM dentro do aplicativo; de outro, a TIM disponibilizará a conta PicPay e produtos de crédito à sua base de clientes. “A parceria deve contribuir para a redução do custo de aquisição de clientes, além de impulsionar maior engajamento em ambas as plataformas”, diz a fintech. Eduardo Chedid, do PicPay: confiante em um segundo trimestre positivo — Foto: Divulgação