Portugal conta, desde esta terça-feira, com duas aeronaves ligeiras de combate a incêndios do Centro de Coordenação de Resposta de Emergência da União Europeia, pré-posicionadas no seu território, que tanto podem assistir os esforços das autoridades nacionais na resposta a fogos florestais ou ser rapidamente mobilizadas para ajudar na resposta a situações de crise em Estados-membros vizinhos.Além disso, entre a segunda quinzena de Julho e o final de Agosto, o país terá à sua disposição um contingente adicional de 60 bombeiros profissionais, com duas equipas destacadas da Letónia e de Malta, para reforçar o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais, que, na fase Delta das operações, poderá ascender aos 15 mil operacionais, entre bombeiros, militares da GNR, elementos da Protecção Civil e profissionais do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.Os dois aviões anfíbios Fire Boss da frota da UE e os 60 bombeiros destacados correspondem aos meios mobilizados no ano passado, e também ao pedido apresentado pelo Governo no âmbito do programa de pré-posicionamento de meios do Mecanismo Europeu de Protecção Civil, que funciona desde 2022 e tem vindo a crescer todos os anos.Neste Verão, o programa envolve um número recorde de 777 bombeiros de 14 Estados-membros, bem como 22 aeronaves e cinco helicópteros, distribuídos pelos seis Estados-membros classificados como “zona de alto risco” de fogos florestais por Bruxelas — Chipre, Grécia, Itália, França, Espanha e Portugal.“Temos o dispositivo mais ambicioso e mais coordenado de sempre, mas, se não for suficiente, podemos sempre ajustar a resposta em função das circunstâncias. Temos essa agilidade”, garantiu a comissária europeia para a Prontidão e Gestão de Crises, Hadja Lahbib, numa breve conferência de imprensa, nesta terça-feira, em Bruxelas, onde se mostrou preocupada com a perspectiva de um Verão muito difícil em termos de incêndios.Lembrando que a época de incêndios “agora é mais longa e começa mais cedo”, a comissária contou que recebeu o primeiro alerta de incêndios florestais em Abril, e que os países afectados foram a Bélgica e os Países Baixos, que face à situação inédita se viram obrigados a solicitar a ajuda do mecanismo de Protecção Civil da UE.“Nesta Primavera já respondemos a incêndios nos Países Baixos, República Checa, Alemanha, Itália e Polónia. O que antes era excepcional tornou-se a nova realidade, que já deixou de nos surpreender”, observou Labib, justificando assim o reforço do dispositivo disponível para apoiar os Estados-membros em risco.“Preparar é melhor do que reparar”, salientou a comissária, que lembrou que no ano passado o mecanismo de Protecção Civil foi activado 18 vezes por causa de incêndios florestais, e que o total de área ardida na Europa foi de um milhão de hectares.