Temperatura elevadas, algumas além das observadas no auge do verão, têm sido registradas em diversas regiões desde maio Pedestre se protege do sol com um guarda-chuva em frente ao Museu do Louvre, em Paris, enquanto uma onda de calor recorde atinge uma faixa da Europa Ocidental — Foto: Simon Wohlfahrt / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 02/06/2026 - 12:55 França e Noruega registram primavera mais quente da história recente França e Noruega enfrentam a primavera mais quente já registrada, com temperaturas até 10°C acima da média em partes da Europa. A onda de calor, exacerbada por um fenômeno El Niño iminente, afeta países como Espanha, Portugal e Reino Unido. Registros meteorológicos mostram que a França teve sua primavera mais quente desde 1900, enquanto a Noruega superou um recorde de 2024. Especialistas apontam que emissões de combustíveis fósseis são as principais responsáveis pelas mudanças climáticas extremas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Parte da Europa enfrenta uma forte onda de calor, com temperaturas elevadas acima do regular e do esperado para o verão, estação que tem início em 21 de junho no hemisfério norte. Países como França, Espanha, Portugal e Reino Unido podem registrar temperaturas mais de 10°C acima da média para o período. No momento, a primavera se despede como a mais quente em parte do continente desde o início dos registros meteorológicos, há mais de 120 anos. Nesta terça-feira (2), o serviço meteorológico da França fez seu registro mais quente na estação desde o início das marcações, em 1900. "Com uma temperatura média de 13,8°C, esta primavera de 2026 é a mais quente já registrada", indicou a Météo France em um relatório que abrange os meses de março a maio. A temporada bateu os recordes de primaveras anteriores estabelecidos em 2011 e 2020, acrescentou o serviço meteorológico. No final da estação foi registrada uma "onda de calor sem precedentes", em especial na zona do noroeste do país. O cenário se repete na Noruega, um dos países nórdicos, que registrou temperaturas médias 2,1ºC acima da média sazonal na primavera mais quente desde o início da série histórica, em 1901. Esse registro superou o mais alto até então, marcado há apenas dois anos. O anúncio foi feito pelo instituto de meteorologia nacional nesta terça-feira. Embora o país escandinavo tenha escapado da onda de calor que afetou a Europa em maio, as temperaturas acima da média em março e abril contribuíram para o recorde, indicou um comunicado do instituto meteorológico. O aquecimento foi particularmente notável no norte da Noruega. "O sol é estável demais para explicar a rápida mudança climática atual. Isso só pode ser devido às nossas emissões de combustíveis fósseis", destacou o climatologista Jostein Mamen. A última primavera mais quente foi registrada em 2024, quando as temperaturas foram 1,8°C acima do normal, e a de 2025 foi a segunda mais quente. Nesta estação, no arquipélago Svalbard, situado entre a Noruega continental e o Polo Norte, as temperaturas em abril ficaram entre 5°C e 6°C acima do normal, segundo o instituto. O Ártico está aquecendo muito mais rápido do que outras regiões devido a um processo conhecido como amplificação ártica. A França, o Reino Unido e Portugal registraram seus dias de maio mais quentes da história, já que uma "cúpula de calor" de ar quente proveniente do norte da África impulsionou as temperaturas muito acima dos níveis normais em toda a Europa Ocidental. A Météo France também destacou que os solos do país, que estavam muito úmidos no começo da primavera, tinham se tornado "muito secos" ao final da temporada. "A onda de calor, combinada com a falta de precipitações, fez com que os solos secassem muito rápido e foi algo generalizado em todo o país", destacou a agência meteorológica. “A ciência é clara ao mostrar que as mudanças climáticas causadas pela ação humana estão tornando essas ondas de calor mais frequentes e extremas”, afirmou, em nota, Simon Stiell, que é secretário-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática.