A presidente da distrital de Cleveland do Federal Reserve (Fed), Beth Hammack, defendeu a manutenção dos juros pelo banco central americano neste momento devido às incertezas em torno das perspectivas econômicas. A dirigente, porém, reconheceu os riscos crescentes de uma restrição na política monetária caso o cenário inflacionário atual permaneça por mais tempo. Hammack alerta que há riscos para a inflação além do choque do petróleo, como as pressões nos preços de eletricidade, seguro de saúde e até em softwares. Soma-se à este cenário o fato de que a inflação americana opera em patamares elevados há quase seis anos, o que poderia influenciar as expectativas de inflação, embora isso não tenha acontecido ainda. “Caso a inflação persista em níveis elevados, uma política monetária mais restritiva poderá ser necessária para que ela retorne a 2% em tempo hábil”, aponta Hammack. A dirigente alerta, ainda, que se a tendência atual na economia americana continuar, em breve poderá ser apropriado para o banco central americano agir. Hammack reconheceu que o choque do petróleo traz riscos para ambos os lados do mandato do Fed e que, em alguns casos, é apropriado “ignorar” seus efeitos. No entanto, ao tratar do balanço de riscos, ela mostrou-se mais preocupada com os riscos crescentes de uma inflação persistentemente elevada do que com os riscos ao pleno emprego. Ela também constatou receios de que a política monetária pode não ser “suficientemente restritiva para reduzir a inflação para 2%.” A dirigente avalia que os indicadores sobre o mercado de trabalho mostram sinais de resiliência e estabilidade, juntamente com condições financeiras favoráveis ao crescimento da atividade. “Essas pressões generalizadas podem continuar a impulsionar os preços para cima, especialmente se o crescimento e o mercado de trabalho permanecerem resilientes”, explicou, ao também mencionar os efeitos inflacionários do choque do petróleo. “Se esperarmos por evidências definitivas de que a alta inflação se consolidou, isso poderá exigir ajustes mais profundos”, acrescentou. Neste sentido, Hammack voltou a defender a retirada do viés de flexibilização da comunicação do banco central americano, visto que a incerteza sobre o cenário econômico faz com que não seja possível garantir que a próxima movimentação será de um corte. Ao ser questionada sobre a defesa do novo presidente do Fed, Kevin Warsh, de uma métrica aparada do índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE) — a qual retira as maiores oscilações em ambas as pontas do indicador —, Hammack mostrou um certo grau de cautela. A dirigente mencionou a necessidade de olhar para uma ampla gama de dados e não se ater apenas a alguns índices específicos. Além disso, Hammack alertou para os riscos de desconsiderar essas oscilações. O valor “cheio” do último PCE mostrou um acumulado de 3,8% ao ano, enquanto a média “aparada” do indicador foi de 2,3% no mesmo período. A presidente do Federal Reserve (Fed) de Cleveland, Beth Hammack — Foto: Victor J. Blue/Bloomberg