A factura do gás natural vai subir para as famílias que se mantêm no mercado regulado. O aumento das tarifas e preços de gás natural para o período de 1 de Outubro de 2026 a 30 de Setembro de 2027, designado por ano gás, subirá 6,4% para consumos inferiores ou iguais a 10.000 m3/ano (essencialmente consumidores domésticos). Um valor bem acima da actualização em 1,5% feita para o ano gás de 2025/2026 e que se explica pela subida de preços da energia, devido ao conflito no Médio Oriente.O valor agora anunciado também fica ligeiramente acima do aumento médio de 6,3% apresentado em Março ao Conselho Tarifário e que reflecte "o contexto de incerteza e de disrupção efectiva na oferta", aumentando "a complexidade do exercício de previsão dos preços do petróleo e, consequentemente, do gás natural", como refere a ERSE.O anúncio feito pela ERSE – Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos terá um impacto na factura mensal do gás natural (incluindo taxas e impostos), para as tipologias de consumo mais representativas (um casal sem filhos e um casal com dois filhos), entre os 0,91 euros e os 1,62 euros. Nestes casos, as facturas estimadas sobem para 17,38 euros e 32,53 euros, respectivamente.Já no mercado livre, onde está a grande maioria dos clientes (1,13 milhões), os preços de venda variam entre comercializadores e dependem da oferta comercial contratualizada pelo cliente.E “os clientes com tarifa social, quer no mercado regulado, quer no mercado livre, continuam a usufruir de um desconto de 31,2%, calculado por referência aos preços de venda a clientes finais do mercado regulado”.Voltando ao mercado regulado, onde permaneciam cerca de 437 mil consumidores no final de Junho de 2025, os preços de venda a clientes finais “observarão, no conjunto dos últimos cinco anos, uma variação média anual de 5,3% no preço final”, adianta a entidade reguladora. Recorde-se que, neste período de cinco anos, a maior actualização ocorreu no período de 2022-23, que foi de 10,7%, em resultado da forte subida dos preços da energia devido a invasão da Ucrânia pela Rússia,De referir que o preço final da factura de fornecimento de gás natural, quer no mercado regulado, quer no mercado livre, depende do aumento dos custos de aquisição do gás natural e do aumento das tarifas de Acesso às Redes, reguladas pela ERSE, que reflectem a utilização colectiva das infra-estruturas de redes.Relativamente ao custo de acesso às redes, e no caso dos consumidores em Baixa Pressão com consumos inferiores ou iguais a 10.000 m3/ano, onde se incluem os consumidores domésticos, a variação das tarifas de Acesso às Redes implicará aumentos médios de 0,098 cêntimos de euro por kilowatt-hora (c€/kWh).“Para os consumidores não-domésticos, ligados em Alta Pressão (indústria), Média Pressão e Baixa Pressão com consumos superiores a 10.000 m3/ano, a variação das tarifas de Acesso às Redes resultará em aumentos até 0,026 cêntimos de euro por quilowatt-hora (c€/kWh), em termos médios”, adianta a ERSE em comunicado divulgado esta segunda-feira.Espreitar os concorrentesCom a entrada em vigor das novas tarifas reguladas, a 1 de Outubro, é habitual os comercializadores do mercado liberalizado reverem os seus preços nesse mês. Assim, Recomenda a ERSE, Outubro é uma boa altura para comparar as ofertas comerciais disponíveis, podendo ajudar o simulador de preços de energia que esta entidade disponibiliza, e que compara as ofertas comerciais de electricidade e de gás natural para os clientes residenciais e os pequenos negócios.É ainda possível consultar os boletins da ERSE relativos ao sector do gás natural sobre as ofertas comerciais e o mercado liberalizado.A entidade reguladora também lembra que o consumidor de gás natural deve avaliar se, para o seu caso, é mais vantajoso ter contratos separados para a electricidade e gás natural ou ter um contrato conjunto para as duas energias.