Com dois novos casos entre domingo e segunda-feira, o número de registros de incidentes com tubarões no estado já somam ao menos 84 desde 1992 Aérea do Complexo de Suape (PE), um dos maiores hubs industriais da região — Foto: Rafael Medeiros/SUAPE RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 01/06/2026 - 22:38 Construção do Porto de Suape aumenta ataques de tubarão em PE O aumento dos ataques de tubarão em Pernambuco é atribuído à construção do Porto de Suape, que alterou o ecossistema marinho local. Desde 1992, já ocorreram 84 incidentes, com os mais recentes envolvendo um menino de 11 anos e uma mulher de 19 anos. A destruição de manguezais e águas turvas favorecem encontros com tubarões, especialmente na Grande Recife. As espécies mais envolvidas são o tubarão-cabeça-chata e o tubarão-tigre. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Com dois novos casos entre domingo e segunda-feira, o número de incidentes causados pelo encontro entre seres humanos e tubarões em Pernambuco chegou a 84. Por trás do número, que começou a crescer a partir dos anos 90, está a construção do Porto de Suape, segundo especialistas. As obras destruiram manguezais, diminuindo o acesso dos tubarões a alimento, e dificultando acessos aos rios usados pelas fêmeas da espécie cabeça-chata para parir filhotes. A população de tubarões migrou, então, para a área da Grande Recife, onde os incidentes como os desta semana acontecem, explica o biólogo marinho e diretor do AquaRio, Marcelo Szpilman. — Em 1992, aconteceu um pico de 14 ataques. Você tem um animal naturalmente mais agressivo que busca alimento em uma área de água turva onde há pessoas — diz. Ele destaca que, apesar de também serem registrados encontros com tubarões tigres, a maior parte dos casos envolve animais da espécie cabeça-chata — É o animal com maior nível de testosterona do planeta Segundo o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), uma das vítimas, um menino de 11 anos, foi mordida por um tubarão cabeça-chata, espécie que é a principal envolvida em incidentes com humanos na região. A segunda vítima, uma mulher de 19 anos, foi mordida, por sua vez, por um tubarão tigre. Szpilman explica que, apesar da tendência mais agressiva do animal, a maior parte dos casos envolve a "mordida investigatória", quando o ferimento é feito apenas para verificar se o alvo é alimento ou não. As águas turvas da região ajudam a criar condições para essas investidas ao dificultar a visualização tanto para o tubarão quanto para o ser humano — Em Boa Viagem, há um canal submarino que passa muito rente à praia. É exatamente na beirada dele que se tem uma melhor formação de ondas. Você tem o surfista e o tubarão, que está buscando um peixe. O tubarão dá uma mordida investigatória, percebe que não é o que ele queria e vai embora. Mas uma mordida a depender do tubarão já pode ser bem ruim — explica Szpilman. O biólogo acrescenta que as piores ocorrências costumam envolver fêmeas cabeça-chata grávidas. Quando estão prestes a parir, elas se aproximam da faixa de areia, ficando perto de banhistas. — Ela para por um período perto da areia na água rasa, e alguém entra sem vê-la, porque a agua é turva. A fêmea dá uma mordida, mas com raiva. Incidentes com tubarões em Pernambuco — Foto: Arte O Globo Duas vítimas em 24h Apenas um dia após um menino de 11 anos ser mordido por um tubarão na Praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes (PE), uma mulher de 19 anos também foi atacada ontem por um animal da espécie na Praia de Boa Viagem, na Zona Sul de Recife. Segundo o Cemit, ela teria sido atacada por um tubarão tigre. A segunda vítima, identificada como Marcela Vitória de Lima Santos, perdeu um dos membros inferiores devido a mordida, dando entrada no hospital já sem a perna direita. Em nota, o Corpo de Bombeiros disse ter sido acionado na tarde desta segunda-feira para atender à ocorrência. A jovem foi retirada da água e recebeu atendimento pré-hospitalar ainda no local. Ela foi posteriormente levada para o Hospital Alfa, onde foi estabilizada e depois seguiu para o Hospital da Restauração. Esse foi o segundo ataque no estado no intervalo de aproximadamente 24 horas. O primeiro aconteceu em uma praia vizinha. A vítima foi identificada como João Lucas Castor Nemezio Sales, de 11 anos. Segundo os médicos, ele teve uma das pernas amputadas após se verificar que não havia condições dela ser revascularizada. Segundo o Cemit, há indícios de que o animal envolvido no ataque ao menino tenha sido um tubarão-cabeça-chata. O ataque aconteceu por volta das 13h40. Ele sofreu ferimentos na coxa e na mão esquerda e foi retirado da água por banhistas, que acionaram o Corpo de Bombeiros. Responsável por atender os dois casos, o Hospital da Restauração divulgou uma nota na noite de ontem atualizando o estado de saúde de ambos. A jovem de 19 está internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em estado grave. Ela precisou passar por procedimento cirúrgico de emergência para controlar o sangramento e regularizar a ferida da coxa. Já o paciente de 11 anos está na UTI Pediátrica com quadro de saúde grave, mas estável. Dos 84 incidentes registrados em Pernambuco, 70 ocorreram na Grande Recife e 14 em Fernando de Noronha. De acordo com o Cemit, o primeiro caso documentado pelo órgão também aconteceu na Praia de Piedade. Embora o estado tenha cerca de 187 quilômetros de litoral, a faixa considerada de maior risco está concentrada em aproximadamente 33 quilômetros entre a Reserva do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho, e a Praia do Farol, em Olinda. O trecho onde ocorreu o ataque está inserido na área abrangida pelo decreto estadual nº 21.402, de 1999, que alerta para o risco de incidentes com tubarões. Há ainda uma faixa de 2,2 quilômetros entre a Igrejinha de Piedade e o Hospital da Aeronáutica onde o banho de mar é proibido. O último incidente registrado em Piedade havia ocorrido em março de 2023. Na ocasião, um adolescente de 14 anos perdeu uma das pernas após ser atacado no local. No dia seguinte, uma adolescente de 15 anos teve o braço esquerdo amputado após entrar no mar na mesma área.
Aumento de ataques de tubarão é consequência de inauguração do porto de Suape, cujas obras afetaram a vida marinha
Com dois novos casos entre domingo e segunda-feira, o número de registros de incidentes com tubarões no estado já somam ao menos 84 desde 1992















