Tributo no Rio de Janeiro amplia um debate sobre exploração sustentável e elitização que se alastra pelo país Prefeitura passa a cobrar pelo turismo nas ilhas de Angra dos Reis e diz que o valor arrecado será usado para melhorar os serviços públicos locais; moradores da Ilha Grande são contra — Foto: Custodio Coimbra RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 01/06/2026 - 19:42 Angra dos Reis adota taxa de visitação, gerando debate sobre turismo sustentável e elitização Angra dos Reis iniciou a cobrança de uma taxa de visitação, ampliando o debate sobre turismo sustentável e elitização no Brasil. A cidade se junta a destinos como Fernando de Noronha e Jericoacoara, que já adotam medidas similares. Mundialmente, cidades superlotadas como Barcelona e Paris também impõem taxas. A medida visa preservar belezas naturais, mas levanta preocupações sobre acessibilidade e impacto econômico local. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Passear por Angra dos Reis — para admirar a cidade ou conhecer as praias da Ilha Grande — se tornou mais caro na segunda-feira com o início de cobrança de uma taxa de visitação. A implementação do tributo no Rio de Janeiro amplia um debate sobre exploração sustentável e elitização que se alastra pelo país. De um lado, a defesa de um modelo de turismo que explore belezas naturais sem deixar de preservá-las, além da possibilidade de arrecadar valores que abasteçam os cofres públicos. Do outro, temores relativos à elitização do lazer e à redução de frequentadores, impactando a renda de quem vive de acolher os visitantes. O preço mínimo começa em 5 Ufirs (R$ 24,80) para quem chega em Angra e faz um bate e volta às ilhas; ou 9 Ufirs (R$ 44,64) se chegar por outra cidade, mais a taxa de 12%. Políticas similares já são adotadas em destinos como Fernando de Noronha, em Pernambuco, Jericoacoara, no Ceará, e Ilhabela, em São Paulo. Veja algumas das cidades que cobram taxa de visitação: Fernando de Noronha (PE): criada em 1989, a Taxa de Preservação Ambiental (TPA) cobrada a todos os turistas é de R$ 105,79 por dia.Jericoacoara (CE): a Taxa de Turismo Sustentável (TTS) custa R$ 41,50 por pessoa e é válida por 10 dias de permanência.Ilhabela (SP): a gestão do arquipélago passou a cobrar, em março, a TPA. Ela é cobrada na entrada de veículos, em valor único por tipo de automóvel, com tarifas entre R$ 10 e R$ 140, independentemente do tempo de permanência na cidade.Ubatuba (SP): a TPA é cobrada a depender do tipo de veículo, variando de R$ 3,72 até R$ 98,03 por dia.Abrolhos (BA): estrangeiros que visitam a cidade desembolsam uma diária de R$ 104, enquanto turistas do Mercosul pagam R$ 78. Brasileiros gastam R$ 52 e moradores de cidades próximas R$ 10. Bombinhas (SC): o destino paradisíaco cobra uma TPA que pode varia entre R$ 4,50 e R$ 191,50 a depender do veículo. Já a fria Campos do Jordão ensaia iniciar a taxação de visitantes. Na contramão, a cidade Gramado, no Rio Grande do Sul, extinguiu no mês passado a Taxa de Turismo Sustentável (TTS), que estava vigente desde 2015. Cobrança pelo mundo Da Europa à Ásia, países com destinos turísticos superlotados também passaram a impor taxas aos visitantes, inclusive sobre a hospedagem. Em Barcelona, na Espanha, os viajantes pagam atualmente até 7,50 euros por dia, a depender da categoria do hotel. Em Berlim, na Alemanha, um imposto de 7,5% do preço da estadia noturna é cobrado. Já em Paris, na França, os turistas podem ter que desembolsar quase 16 euros por noite para o nível mais caro de hotéis. Como já ocorre no Havaí (EUA), o governo da Grécia — que enfrenta incêndios florestais — quer se proteger contra desastres naturais e fazer com que os turistas ajudem a pagar a conta. No país europeu, a cobrança ganhou o nome de “taxa de resiliência à crise climática” e será feita pelo setor de hotelaria e acomodação.