Britânica que se apresentou em Montreux e Glastonbury também vai tocar em São Paulo, no Rio das Ostras Jazz e Blues Festival e em Curitiba Nubya Garcia, saxofonista que se apresentará no Manouche, no Rio, nesta terça-feira (2) — Foto: Mariana Pires/divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você Em sua primeira turnê solo pelo Brasil, a saxofonista inglesa apresenta o aclamado álbum 'Odyssey' e reforça seu papel na nova cena do jazz, buscando se estabelecer também como compositora. Filha de latino-americanos, Garcia se apresenta com sua banda hoje no Rio (em duas sessões, no Manouche) e amanhã em São Paulo (na Casa Natura Brasil), além de Curitiba e Rio das Ostras Artista diz que trabalho como DJ acabou a aproximando da música brasileira. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Lançado em 2024, “Odyssey”, terceiro álbum da saxofonista de jazz inglesa Nubya Garcia, teve aclamação geral, e levou a artista, hoje com 34 anos de idade, a apresentar-se em alguns dos principais festivais de música do mundo (e não só de jazz), como Glastonbury e Montreux. Atração do paulistano C6 Fest em 2023, ela agora volta ao Brasil para a sua primeira turnê. Filha de latino-americanos, Garcia se apresenta com sua banda hoje no Rio de Janeiro (em duas sessões, no Manouche) e amanhã em São Paulo (na Casa Natura Brasil), show promovidos pelo Queremos!. Na sexta-feira e no sábado ela toca no Rio das Ostras Jazz e Blues Festival e, no domingo, em Curitiba, no Teatro da Reitoria. — “Odyssey” foi definitivamente um grande passo para me concentrar mais na composição, no timbre orquestral e também para trabalhar com mais artistas convidados e vocalistas. Mas foi, sobretudo, um esforço muito focado para me estabelecer e dizer: “Sim, eu toco saxofone, eu sou DJ, mas também sou compositora!” — diz ela, por Zoom. — Nunca tinha composto para uma orquestra de cordas antes, nunca me ensinaram a fazer isso. Com “Odyssey”, minhas influências me levaram a um novo lugar que eu pude chamar de meu. Acho que é isso que ele significa para mim, uma paisagem sonora muito intencional. ‘Termo abrangente’ Nubya conta que há muito as pessoas perguntavam quando é que ela vinha tocar no Rio de Janeiro (cidade por onde já circulou e fez amigos). — Estou muito animada para levar as minhas músicas novas e também para homenagear tudo o que já fiz, afinal, esta é a primeira vez no Rio. Quero tocar algumas músicas do “Source” (seu álbum de 2020), do “Nubya’s 5ive” (2017), do “When we are” (EP de 2018), alguns clássicos — conta ela, que vem acompanhada de Sam Jones (bateria), Max Luthert (contrabaixo) e Lyle Barton (teclados). — Cada set, como sempre, será bem diferente em termos de repertório, já tenho vários discos de onde posso tirar minhas músicas, mas agora com foco no “Odyssey”. Seu trabalho como DJ acabou aproximando-a bastante da música brasileira. — Existem muitos nichos diferentes e estou muito animada para me aprofundar um pouco mais meus conhecimentos — diz a saxofonista, que esteve em algumas rodas de samba em Salvador, Rio e São Paulo e é apreciadora de Gilberto Gil, Margareth Menezes, Azymuth, Mateus Aleluia, Os Tincoãs e Tim Maia. Nubya Garcia diz considerar o jazz como “um termo abrangente, o que pode ser bom ou ruim, dependendo de com quem você está falando”. — Acho que, no mainstream, o jazz virou algo que ninguém achava legal, ou que não era legal de ouvir, porque é coisa de gente muito elitista, ou de certa idade. Nunca pensei assim, porque ouço jazz desde os 9 anos de idade. Nunca foi uma questão de ser legal ou não ser legal para mim. Eu simplesmente curto — resume. — Vi alguém dizer outro dia que o jazz, essencialmente, consiste em impulsionar a música para a frente, mantê-la viva e em constante mudança. Os tradicionalistas são incríveis, porque eles querem preservar a tradição, mas acho que isso precisa acontecer em conjunto com uma abertura, para que a música mude. Privilégios Nubya faz parte de uma geração de músicos ingleses de que veio se destacando bastante a renovação do jazz, como o baterista Moses Boyd, o flautista Shabaka Hutchings, o tubista Theon Cross, a trompetista Sheila Maurice-Gray e os grupos Ezra Collective, Kokoroko e Sons of Kemet. — Me sinto muito feliz por ter crescido em uma época mais aberta do que as épocas anteriores. E sou grata por aqueles que vieram antes de nós por terem lançado as bases no caminho que podemos seguir — comemora. — Fico muito animada quando olho ao redor e vejo o que meus amigos estão conquistando. No fim das contas, sou uma fã, adoro ir aos shows dos meus amigos e adoro ver meus amigos nos meus shows. Isso é o que importa. Ela se julga privilegiada por ter crescido no ambiente multicultural e artístico de Camdem Town, em Londres. — Candem me mostrou como diferentes estilos musicais podem coexistir no mesmo espaço. Lá, você pode encontrar lugares com alguém tocando indie rock numa noite, hip hop na noite seguinte e grunge na outra. Isso me trouxe uma abertura muito profunda. Não era como se eu gostasse de um estilo específico e essa fosse a minha identidade. Era mais como: “Ah, eu também gosto disso!” — conta. — Você absorve influências que nem tinha percebido, ouvindo alguém na rua cantando clássicos da soul music, ou alguém tocando reggae num carro. É um meio eclético, e ele faz você uma pessoa aberta, que simplesmente gosta de música.