A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou nesta segunda-feira (1°) que setores da extrema direita nos Estados Unidos estão coordenando ações com grupos domésticos para atacar seu governo. A declaração representa uma escalada do tom de sua retórica contra o principal parceiro comercial do país. Durante um evento no fim de semana, Sheinbaum já havia denunciado a suposta interferência de agências governamentais americanas e de interesses empresariais dos EUA. “Acredito que sejam setores da extrema direita nos Estados Unidos que querem uma má relação com o México”, disse Sheinbaum em entrevista coletiva, atribuindo essa postura a diferenças “ideológicas”. A presidente esquerdista afirmou, contudo, não acreditar que os ataques estejam sendo coordenados por seu homólogo americano, Donald Trump. As relações entre os dois países estão tensionadas desde o início do segundo mandato de Trump, em janeiro, em meio a disputas sobre tarifas e políticas migratórias. As tensões aumentaram em abril, quando o Departamento de Justiça dos Estados Unidos denunciou dez autoridades mexicanas, incluindo o governador de Sinaloa, Rubén Rocha Moya, do partido governista Morena, por supostas ligações com o narcotráfico. Após as acusações contra políticos do Morena, Sheinbaum intensificou os apelos em defesa da soberania nacional. “Quem decide no México: agências estrangeiras ou o povo?”, perguntou a presidente a apoiadores no domingo, durante um evento que marcou o segundo aniversário de sua vitória na eleição presidencial de 2024. “Vamos defender a soberania e a independência do México.” Na semana passada, o Congresso mexicano aprovou uma emenda constitucional que permite a anulação de eleições em caso de “interferência estrangeira”. Líderes da oposição criticaram a medida, alegando que ela poderia servir de pretexto para convocar novas eleições caso o resultado seja desfavorável ao partido governista. Apesar do atrito diplomático, a posição de Sheinbaum no cenário doméstico continua forte. Uma pesquisa publicada pelo jornal mexicano El Financiero mostrou que sua taxa de aprovação atingiu 69%, revertendo uma leve queda observada desde março.