PUBLICIDADE Traçado proposto parte da estação CariocaProjeto estima redução significativa no tempo de deslocamento em outras áreas da Região Metropolitana; Projeto da Linha 3 do metrô ligaria o Rio de Janeiro ao Leste Fluminense — Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 01/06/2026 - 15:09 Nova linha de metrô no Rio promete viagem Santos Dumont-Niterói em 11 minutos Estudo da Coppe/UFRJ propõe linha 3 do metrô no Rio, reduzindo viagem entre Aeroporto Santos Dumont e Niterói de 75 para 11 minutos. O projeto, que prevê 50 km de extensão e 29 estações, promete impactos significativos na mobilidade metropolitana, beneficiando 1,7 milhão de pessoas. Com custo de R$ 26 milhões, a iniciativa busca otimizar transporte e promover desenvolvimento urbano integrado na região. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Uma viagem que hoje leva 75 minutos de carro entre o Aeroporto Santos Dumont, no Centro do Rio, e Icaraí, em Niterói, poderia ser feita em apenas 11 minutos de metrô. A projeção é do estudo Planos de Transportes Urbanos Sustentáveis e de Desenvolvimento Integrado (Prisma) —, apresentado nesta segunda-feira (1°) pelo professor Romulo Orrico, do Programa de Engenharia de Transportes da Coppe/UFRJ, no Hotel Windsor, no Flamengo. A redução de 85% no tempo de deslocamento nesse trecho é o dado mais expressivo de um projeto que prevê uma linha metroviária com trecho subaquático e 50 quilômetros de extensão no total, com 29 estações, ligando o Rio a Itaboraí e passando pelo coração de São Gonçalo. Só nos municípios da Região Leste Fluminense, 1,7 milhão de pessoas seriam diretamente impactadas com a nova linha. O traçado otimizado proposto pelo Prisma parte da estação Carioca, no Rio, e percorre Niterói — com paradas em pontos como UFF, Icaraí, Praça do Rink, Aeroporto Santos Dumont, Santa Rosa e Nuno Torrezão — antes de avançar por São Gonçalo, cruzando bairros como Barreto, Neves, Alcântara, Zé Garoto e Antonina, até chegar a Itaboraí, com estações em Vista Alegre, Marambaia, Manilha, Itaboraí Plaza e Centro de Itaboraí, entre outras. A linha foi desenhada com capacidade de operar com intervalo mínimo de 90 segundos entre trens, trafegando a uma velocidade máxima de 80 km/h. Os ganhos de tempo projetados para outros pares de origem e destino também são significativos. O trajeto entre Alcântara e o Centro de Niterói, que hoje demanda 55 minutos de carro, cairia para 37 minutos de metrô — redução de 30%. A viagem de Itaboraí a Alcântara passaria de 45 para 36 minutos, queda de 20%. Já o deslocamento entre o Centro de São Gonçalo e o campus da UFF no Gragoatá, atualmente estimado em 50 minutos de automóvel, seria feito em 33 minutos pelo novo sistema, ganho de 35%. —Isso gera um impacto positivo muito grande na vida das pessoas que cruzam a Região Metropolitana — diz o professor Romulo Orrico, responsável pela pesquisa. Crise crônica de mobilidade A principal justificativa para o projeto está nos números do diagnóstico de mobilidade da região. Uma pesquisa origem-destino feita com base no rastreamento de 19 milhões de registros de telefonia celular revelou que entre Niterói e São Gonçalo circulam 340 mil viagens por dia. No total, a área de estudo — que inclui trechos do município do Rio, Niterói, São Gonçalo e Itaboraí — concentra 3,3 milhões de deslocamentos diários, o equivalente a 15% de todas as viagens realizadas na Região Metropolitana. O transporte é feito predominantemente por ônibus, modal que, segundo o estudo, impõe alto dispêndio financeiro às famílias e longos tempos de viagem. Um dado adicional aponta para a explosão do uso de motocicletas na região: o volume de motos cresceu 68% entre 2016 e 2024, sinal de uma crise crônica na oferta de transporte coletivo de qualidade. Para definir o traçado mais adequado, a equipe da Coppe analisou oito projetos anteriores elaborados entre 1968 e 2017 e desenvolveu uma metodologia própria de otimização, baseada em 12 variáveis — entre elas densidade populacional, áreas de vulnerabilidade social, emprego e renda, matrículas escolares, segurança pública, proteção ambiental e potencial de adensamento urbano. O resultado foi um traçado significativamente superior aos anteriores em todos os indicadores, de acordo com a Coppe: no entorno de 400 metros das estações propostas, a população atendida seria de 182 mil habitantes, contra 92 mil nos traçados anteriores — crescimento de 98%. O número de vagas de emprego acessíveis saltaria de 49 mil para 73 mil (+50%), as matrículas escolares cobertas dobrariam, de 23 mil para 48 mil (+110%), e os polos geradores de viagens passariam de 16 para 30 empreendimentos (+88%), de acordo com as projeções. A ambição do Prisma vai além da mobilidade. O projeto é concebido como um eixo de desenvolvimento urbano integrado, com potencial de impulsionar habitação, comércio, educação e cultura ao longo de toda a linha. As estações foram classificadas em quatro categorias — centrais, de consolidação, sociais e ambientais —, de acordo com o contexto urbano em que se inserem. A estação de Alcântara, em São Gonçalo, por exemplo, foi identificada como ponto de alta concentração comercial e grandes equipamentos urbanos, com conexão prevista a um futuro terminal do sistema Muvi e a projetos de reurbanização da prefeitura local. O estudo, que conta com banco de dados geoespaciais com mais de 300 mil endereços geolocalizados, 1.200 rotas de transporte mapeadas e 20 bases integradas de uso do solo e vulnerabilidade social, está atualmente na fase de calibração do modelo de simulação de demanda. A próxima etapa prevê a realização de pesquisas de preferência declarada, com previsão para agosto de 2026, seguidas da estimativa de demanda e receita, do anteprojeto de infraestrutura e da avaliação econômico-financeira. O processo culminará na elaboração de uma minuta de edital de licitação e no acompanhamento do processo de concessão da linha. Prazo de 30 meses Solicitado pelo governo federal, o estudo foi lançado em junho de 2025, com prazo de 30 meses para conclusão e custo estimado em R$ 26 milhões. O objetivo é oferecer base técnica para decisões sobre traçado, viabilidade econômica e impactos sociais do trajeto. O desenvolvimento está a cargo de dois laboratórios da Coppe/UFRJ: a Rede de Estudos em Engenharia e Socioeconômicos de Transportes (Reset) e o Laboratório de Otimização e Sistemas de Informações Geográficas (OPTGIS).