O GLOBO acompanhou cena de Pedro Novaes e Carolina Dieckmann Carolina Dieckmann e Pedro Novaes no set de 'A viagem' — Foto: Estevam Avellar/Globo A voz em off que dizia “a vida continua e a morte é uma viagem” em outubro de 1994, no fim da novela de Ivani Ribeiro na TV Globo, já dava sinais do que aconteceria 32 anos depois: “A viagem” não morre. Entre reprises e memes, a história espírita sobre redenção e perdão vira agora um filme dos Estúdios Globo, ainda sem data de estreia, que traz de volta o espírito obsessor Alexandre para quem o viu na tela da TV ou apenas no celular. Afinal, ano após ano, o personagem imortalizado por Guilherme Fontes segue como ícone pop, um hit nas figurinhas de WhatsApp ou memes das cenas com o sorrisinho malicioso do ator. — “A viagem” é uma história muito forte, que tem um público apaixonado — diz o diretor do longa, Henrique Sauer, que recebeu O GLOBO no set de filmagem. —Essa é a potência, sem dúvida, da escolha de fazer esse filme. Exibida primeiramente na TV Tupi em 1975, com Ewerton de Castro como Alexandre, a versão consagrada no imaginário nacional já foi uma adaptação da história da família Toledo, cujo esteio é Diná (Eva Wilma e, depois, Christiane Torloni), às voltas com o inconsequente irmão caçula. Ele mata uma pessoa, vai preso e comete suicídio na cadeia. Atormentado, volta ao plano terreno para se vingar daqueles que considera responsáveis por sua prisão. Henrique Sauer com Pedro Novaes no set de 'A viagem' — Foto: Estevam Avellar/Globo A versão da década de 1990 foi reexibida três vezes no “Vale a pena ver de novo” — a primeira em 1997 e a última em 2025, quando teve média de audiência de 16,6 pontos em São Paulo e pico de 24 no Rio no meio da tarde, número geralmente alcançado pelas tramas inéditas das 18h e das 19h. Na programação do Canal Viva (atual Globoplay Novelas), Alexandre vagou em 2014, 2020 e 2024, quando virou fixação de jovens noveleiros. —Ele é um ícone pop — diz Henrique. —(Desta vez, buscamos oportunidades no texto da Jaque (a roteirista Jaqueline Vargas) onde o personagem pudesse se divertir em cena, mas sem perder a tensão que o filme pede. Calibramos porque o filme não tem a mesma elasticidade da novela. Desde os tempos de Ivani, afinal, a ideia era refletir sobre família, traumas e redenção sob o manto do espiritismo e da vida após a morte. É com isso em mente que o ator Pedro Novaes, o Alexandre da nova geração, tem trabalhado. No dia em que o GLOBO visitou o set, Alexandre ainda estava vivíssimo, mas causando problema. Ele acabara de cometer o crime que desencadeia a história e tentava convencer Diná (Carolina Dieckmann), de que não poderia ir para a cadeia. As cenas exigiram de Pedro — que terminara de gravar a novela “Três Graças” há poucas semanas — os berros e o choro da alternância da raiva e do arrependimento que movem o personagem. Pedro Novaes e Carolina Dieckmann no set de 'A viagem' — Foto: Estevam Avellar/Globo — Ele teve algumas perdas muito jovem e isso deu uma bagunçada na cabeça dele, principalmente sobre a posição na família e a relação com a irmã. Ele é um cara ressentido e isso o faz ter determinadas atitudes em vida que se prolongam no outro plano. Mas não o vejo como vilão e, sim, um homem amargo — diz Pedro, que garante não ter topado com os memes em sua vida no plano digital. — Fui impactado depois do convite, quando comecei a pesquisar sobre a história. Aí o algoritmo me mostrou mais. No Rio2C, evento de criatividade que aconteceu na semana passada, Pedro apareceu em cena para o grande público no primeiro teaser divulgado pelos Estúdios. Algumas mudanças ficaram claras: Alexandre vai matar o cunhado Téo (agora Emilio Dantas). Nas versões para a TV, este personagem (interpretado primeiro por Tony Ramos e, depois, por Maurício Mattar) era um dos alvos do espírito por tê-lo entregado para a polícia. No filme, é a própria Diná quem vai fazer isso, instigada pelo marido, Otávio (Rodrigo Lombardi no papel que foi de Antônio Fagundes e Altair Lima). E ela, portanto, que sofre a perseguição do irmão na Terra. —A Diná de 2026 é muito madura e centrada, tem uma elegância que, às vezes, beira uma certa frieza — diz Carolina, já uma atriz de 15 anos quando “A viagem” passou na Globo. — É uma novela que sempre me marcou e, em todas as reprises, me toca. A música, principalmente, mexe muito comigo, com essa ideia de falar sobre vidas e sobre a possibilidade de reencontros. A canção a que ela re refere,chamada também de “A viagem”, é um clássico do cancioneiro televisivo, daqueles que ficam na cabeça como o Alexandre no cangote de seus inimigos. Não havia,portanto, como fugir dela. —Tirar a música é como tirar o Alexandre — diz Henrique. —Desde o início, sabíamos que precisávamos mantê-la no filme e há uma sequência muito específica para ela. Mas temos tentado colocá-la presente em outros momentos. Estamos estudando!