Os chamados óculos inteligentes, ou smart glasses, são hoje uma categoria bastante elástica. Há modelos quase discretos que se limitam a integrar altifalantes nas hastes e funcionam como uma alternativa aos auriculares. E há propostas muito mais ambiciosas, com câmaras, ecrãs nas lentes, processamento próprio e capacidade para captar som e imagem do que acontece à volta do utilizador, como acontece com os Meta Ray-Ban Display.Os Polaris Nexus (119,25 euros) pertencem claramente ao primeiro grupo. Não precisam de aplicação própria, não têm câmaras, não têm chips dedicados ao processamento de dados, nem tentam transformar o mundo à nossa frente numa interface digital. São, antes de tudo, óculos. Neste caso, óculos de sol com uma construção convincente, lentes polarizadas e um desenho que, pelas reacções que fomos recolhendo junto de quem os viu, pode ser descrito como clássico. O que tem uma vantagem: não chamam demasiado a atenção e assentam bem na maioria dos rostos.O lado gadget está nas hastes, que escondem a electrónica necessária para a ligação Bluetooth ao telemóvel, os altifalantes e os microfones. E aqui há uma particularidade interessante: as hastes inteligentes são amovíveis e podem ser substituídas por hastes tradicionais, também incluídas na caixa. Ou seja, se num determinado dia quisermos usar apenas uns óculos de sol normais, sem bateria, comandos tácteis ou avisos sonoros, podemos fazê-lo. A troca também torna os óculos um pouco mais leves e confortáveis, já que a electrónica obriga as hastes inteligentes a serem mais espessas, sobretudo na zona que assenta atrás das orelhas.Há, porém, uma escolha de desenho menos feliz: cada haste inteligente funciona de forma independente. Cada uma tem de ser ligada, desligada e carregada separadamente. O cabo incluído resolve parte do problema, já que traz duas fichas magnéticas e permite carregar as duas hastes ao mesmo tempo. Mas a vantagem prática desta independência não é evidente. Talvez faça sentido para quem queira usar apenas uma haste, embora seja difícil imaginar muitos cenários em que isso seja desejável.As desvantagens, essas, são mais fáceis de encontrar. Durante o teste, a bateria da haste direita tendia a esgotar-se antes da esquerda. E o gesto de ligar ou desligar os óculos — apertando ambas as hastes com os dedos — nem sempre funcionava como esperado: por vezes, só uma das hastes reagia. Mais irritante ainda, houve ocasiões em que pareciam não querer ligar quando precisávamos deles, mas acordavam sozinhos quando estavam pendurados na camisa ou guardados no saco de transporte.Bons para falar, fracos para ouvir músicaA utilização mais convincente dos Polaris Nexus é nas chamadas. Os altifalantes e microfones integrados permitem falar ao telefone sem tirar o telemóvel do bolso. É verdade que caminhar na rua a falar para o vazio ainda atrai alguns olhares de perplexidade — afinal, para quem está de fora, parece que estamos a conversar connosco próprios. Mas a solução é prática, sobretudo quando se corre, se anda de bicicleta ou se quer manter as mãos livres.Há outra vantagem importante: como não são auriculares, continuamos a ouvir o som ambiente. Isso torna-os mais seguros em contexto urbano e mais confortáveis para quem não gosta de se isolar completamente do que se passa à volta. Também evita problemas com as autoridades de usar auriculares enquanto se conduz.Nas chamadas, o desempenho é globalmente bom. Ouvimos bem quem está do outro lado e, em condições normais, também somos ouvidos com clareza. Quando há muito ruído ambiente, porém, os microfones começam a acusar o esforço e os interlocutores acabam por se queixar.As hastes também servem de comando. Com pequenos gestos dos dedos, é possível parar ou retomar a música, avançar para a faixa seguinte, atender chamadas ou invocar o assistente digital. No caso dos telemóveis Android, isso significa poder falar directamente com o Gemini sem sequer tirar o smartphone do bolso. Não é uma revolução, mas pode dar jeito. Por exemplo, para pedir uma informação rápida enquanto se anda de bicicleta.Naturalmente, também é possível ouvir música. Mas aqui os Polaris Nexus convencem menos. A qualidade de som é fraca, inferior à de muitos auriculares baratos. Serve para ouvir rádio, um podcast ou indicações de navegação, mas quem gosta realmente de música depressa vai sentir falta dos auriculares. Falta corpo, falta detalhe e falta isolamento — embora, neste tipo de produto, esse isolamento também não seja propriamente o objectivo.Veredicto“Mas por que usaria isto se já tenho uns auriculares que fazem o mesmo, mas com melhor qualidade?” Foi a pergunta que ouvi quando pedi a uma das minhas filhas para experimentar os Polaris Nexus. E confesso que não foi fácil responder.A verdade é que ela tem razão — pelo menos em parte. Uns bons auriculares fazem quase tudo isto melhor: têm melhor som, melhor autonomia, comandos mais consistentes e uma integração mais previsível com o telemóvel. Mas os Polaris Nexus não querem substituir completamente os auriculares. Querem ser uns óculos de sol que, além de protegerem os olhos, permitem atender chamadas, ouvir um podcast ou falar com o assistente digital sem termos nada dentro dos ouvidos. E, na Wells, é possível aplicar lentes com graduação personalizada. Aliás, estes óculos até estão disponíveis para lentes não solares.E é aí que fazem algum sentido. Não são indispensáveis, nem particularmente baratos para aquilo que oferecem. Mas há situações — a correr, a pedalar, a caminhar, ou simplesmente quando queremos manter contacto com o ambiente à nossa volta — em que ter estes óculos na cara é mais prático do que parece à primeira vista. São smart, sim. Mas pouco.
Polaris Nexus: uns óculos moderadamente inteligentes
No Gadget desta semana, testamos os Polaris Nexus, uns óculos de sol que permitem atender chamadas, ouvir podcasts e até conversar com o assistente digital — tudo sem tirar o telemóvel do bolso.
Os Polaris Nexus (119,25 €) são smart glasses com hastes Bluetooth amovíveis — altifalantes e microfones integrados, sem câmaras nem chips próprios. Práticos para chamadas hands-free em mobilidade, mas o áudio não justifica substituir auriculares na mesma faixa de preço.








