"Para nos vencer, o alemão ou suíço teria de passar várias encarnações aqui. Teria que nascer em Vila Isabel, ou Vaz Lobo. Precisaria ser camelô no Largo da Carioca. Precisaria de toda uma vivência de boteco, de gafieira, de cachaça, de malandragem geral", escreveu Nelson Rodrigues, em célebre texto publicado na revista Fatos & Fotos, em junho de 1962, em festa pelo bicampeonato mundial do Brasil, no Chile.

Na luta pelo hexa, em 2026, na América do Norte, a seleção terá seu legítimo representante de Vila Isabel, com uma vivência que pode fazer diferença contra alemães, suíços e outros adversários. Orgulhoso de suas raízes no tradicional e boêmio bairro do Rio de Janeiro, Bruno Guimarães, 28, as carrega nos uniformes que veste no futebol europeu.

A camisa 39 que ele usa no Newcastle –e usou anteriormente no Lyon– é uma referência ao número do táxi de seu pai em uma frota da zona norte carioca. Quando o atual volante do Brasil vivia na rua Oito de Dezembro, na vizinhança de Noel Rosa, eram as corridas de Dick que bancavam a família.

Bruno gosta de narrar o momento em que chegou ao Athletico Paranaense, em 2017, aos 19 anos. Foi após algumas dispensas em clubes grandes do Rio de Janeiro, o início no Audax Rio e uma boa passagem no Osasco Audax, da região metropolitana de São Paulo.