O general de mais alta patente dos Estados Unidos, a cargo das forças militares do país na América Latina, realizou uma reunião incomum na sexta-feira com altos oficiais militares cubanos no perímetro da Estação Naval dos EUA na Baía de Guantánamo, em Cuba, informou o Exército dos EUA na sexta-feira, confirmando uma reportagem da Reuters. O general americano Francis Donovan, chefe do Comando Sul dos EUA, discutiu brevemente assuntos de segurança operacional com a delegação cubana, que incluía o general cubano Roberto Legra Sotolongo, primeiro vice-ministro do chefe do Estado-Maior General, informou o Comando Sul dos EUA na plataforma X. “Donovan também liderou uma avaliação de segurança perimetral da base naval e discutiu com os oficiais da base a proteção da força, a segurança dos militares e suas famílias, e a prontidão operacional”, afirmou o comunicado. O encontro de Donovan em Cuba é o primeiro em tempos recentes de um chefe do Comando Sul e ocorre em meio a crescentes preocupações em Cuba sobre um possível ataque militar dos EUA à ilha governada pelos comunistas. O Ministério das Relações Exteriores de Cuba não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. O encontro ocorre após uma rara visita, no início de maio, do diretor da CIA, John Ratcliffe, a Havana. Antagonista dos EUA O presidente Donald Trump frequentemente citou Cuba entre os objetivos de política externa de seu segundo mandato e insinuou que o país se tornará seu foco principal assim que a guerra com o Irã terminar. Cuba tem sido antagonista dos EUA por décadas, desde a revolução de Fidel Castro em 1959. Trump conta com forte apoio de cubano-americanos linha-dura na Flórida, que há décadas pressionam por uma mudança de regime instigada pelos EUA, e seu governo tem intensificado constantemente a pressão sobre a ilha. Em 20 de maio, os EUA acusaram formalmente o ex-presidente Raúl Castro de quatro homicídios pelo abate, em 1996, de aeronaves civis operadas por exilados baseados em Miami. A acusação foi o exemplo mais recente dos esforços da administração Trump para afirmar a influência dos EUA no Hemisfério Ocidental. O papel mais assertivo de Washington na América Latina foi exemplificado por uma audaciosa operação militar dos EUA em 3 de janeiro para capturar o presidente venezuelano Nicolás Maduro em Caracas e, em seguida, levá-lo para Nova York para responder por acusações de tráfico de drogas. Maduro, um socialista alinhado com Havana, declarou-se inocente. Rubio e Donovan O secretário de Estado americano, Marco Rubio, filho de imigrantes cubanos e visto como um possível candidato à indicação republicana para presidente em 2028, gerou preocupação em Havana ao falar sobre o risco à segurança nacional representado pelo que ele chama de Estado falido, localizado a apenas 145 km da Flórida. Marco Rubio e o general Francis Donovan no QG do Comando Sul dos EUA em Doral, Flórida, em 5 de maio — Foto: Comando do Sul dos EUA/X Em 5 de maio, Rubio e Donovan posaram em frente a um mapa de Cuba em uma postagem no X feita pelo Comando Sul de Donovan. A postagem dizia que as conversas se concentraram nos “esforços dos EUA para combater as ameaças que minam a segurança, a estabilidade e a democracia em nosso hemisfério”. O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, alertou que qualquer ação militar levaria a um “banho de sangue” no qual milhares de cubanos e americanos morreriam. Trump impôs efetivamente um bloqueio de combustível à ilha, ameaçando com tarifas os países que a abastecem, provocando apagões aparentemente intermináveis e desferindo novos golpes na economia já debilitada da ilha. Especialistas afirmam também que a instabilidade em Cuba ameaça desencadear uma crise migratória.
General dos EUA se reúne com militares cubanos no perímetro de Guantánamo
Encontro ocorre após o aumento da pressão dos EUA sobre Cuba e a recente visita do diretor da CIA a Havana










