O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, anunciou nesta sexta-feira que as suas forças conseguiram cruzar o rio Litani, que marca a passagem entre o Sul do Líbano e o resto do território, visto como um objectivo estratégico fundamental para Israel.É o resultado de várias semanas de avanços militares israelitas e da intensificação da ofensiva que se observou nos últimos dias. “As nossas forças atravessaram o Litani e avançaram para zonas controladas”, disse Netanyahu, durante uma visita à 36.ª divisão do Exército israelita, destacada na frente libanesa, acompanhado pelo ministro da Defesa, Israel Katz, e pelo general Tamir Yadai. “Também estamos a levar a cabo operações em Beirute, no vale de Bekaa [na zona oriental] e em toda a frente, onde estamos a atingir o Hezbollah com toda a força.”Pouco antes, o Chefe do Estado-Maior do Exército israelita, Eyal Zamir, afirmou que as suas tropas tinham infligido “danos cumulativos e sem precedentes” ao Hezbollah. “A linha amarela não nos limita. Faremos o que for preciso para aniquilar uma ameaça”, afirmou, numa visita às tropas.Referia-se à faixa de quase dez quilómetros de território libanês — do Mediterrâneo até à fronteira entre o Líbano e a Síria, criada depois do cessar-fogo em vigor desde o dia 17 de Abril — a partir da qual as forças israelitas entendem ter carta-branca para abater quem consideram ser uma ameaça.“O comando está a agir com criatividade, iniciativa e responsabilidade, a entrar em territórios novos e a pressionar o inimigo, a destruir as suas capacidades e prejudicá-lo sistematicamente”, afirmou Zamir, acrescentando que 2500 soldados do Hezbollah já terão morrido desde o início da ofensiva no Líbano, no início de Março.Não só soldados do Hezbollah: de acordo com um balanço da Unicef publicado nesta sexta-feira, pelo menos 15 crianças morreram e 62 ficaram feridas devido à incursão militar israelita no Líbano. A ofensiva está a afectar a vida quotidiana de milhares de civis que vivem no Sul do Líbano, vítimas dos ataques ou obrigados a procurar segurança noutras regiões.Ainda na quinta-feira, e falando sobre outro conflito, Netanyahu afirmou ter dado ordens ao Exército para tomar 70% do território da Faixa de Gaza, mais do que o que estava previsto no acordo de cessar-fogo. A afirmação de Netanyahu seguiu-se a outra do ministro da Defesa, Israel Katz, que disse querer avançar com a “migração em larga escala” de palestinianos da Faixa de Gaza “no momento certo e da forma correcta”.Líbano e Israel reunidos no PentágonoPara esta sexta-feira, está ainda marcada uma reunião entre responsáveis libaneses e israelitas, no Pentágono, em Washington. De acordo com uma fonte militar libanesa, que falou com a Agência France-Presse sob anonimato, a delegação vai enfatizar a necessidade de um cessar-fogo real — há relatos constantes de violações por parte das forças israelitas e do Hezbollah — e apresentar um plano para a criação de um monopólio estatal de armas, “estendendo a autoridade do Estado a todo o país”.Em parte, foi a mesma mensagem que o Presidente libanês, Joseph Aoun, transmitiu ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, numa conversa telefónica nesta sexta-feira: também ele enfatizou a necessidade de um cessar-fogo, “um passo essencial para avançar para qualquer outra etapa”.