Por Anna Luiza Santiago Michel Melamed e Letícia Colin — Foto: Asafe Ghalib Sem medo de encarar o desconhecido, Leticia Colin adota a filosofia “metamorfose ambulante”, expressão eternizada na canção homônima de Raul Seixas de 1973, ao escolher suas personagens. Desde 18 de maio, a atriz vive Adriana, a protagonista de “Quem ama cuida”, nova trama das 21h da TV Globo. Paralelamente, a artista aguarda o lançamento da série “Jogada de risco’’, prevista para julho no Globoplay, em que interpreta Rita, uma ex-garota de programa e cafetina de luxo que tem um envolvimento com Maurício (Cauã Reymond), um agente de jogadores de futebol. Na novela, a personagem de Leticia enfrenta uma sucessão de tragédias. Após ser demitida, ter a casa destruída por uma enchente e ficar viúva, a fisioterapeuta reconstrói a vida profissional e se casa com o milionário Arthur Brandão (Antonio Fagundes). A calmaria, contudo, dura pouco: o marido é assassinado, e a culpa recai sobre a jovem. Condenada injustamente, Adriana deixa a cadeia disposta a provar a inocência e se vingar daqueles que a traíram. A virada na trama, escrita por Walcyr Carrasco e Claudia Souto, marca também uma transição que entusiasma a atriz. — É interessante quando a obra muda de gênero dentro da própria história. Esta coragem para recalibrar a estação e sintonizar uma outra energia renova a sensação diante dos personagens e a experiência do público. Não tenho um pensamento cristalizado sobre o que fazer, porque a linguagem de hoje é atravessada pela internet e pelo streaming. Quero dar muitas camadas à Adriana. Encantada pelo papel em "Quem ama cuida", Letícia reflete sobre a importância de construir “mulheres reais” nas narrativas audiovisuais. A atriz destaca a complexidade de Adriana, aspecto capaz de conquistar o público, sobretudo feminino: — É muito interessante buscar estas mulheres reais, com desejos e ambições, que não são idealizadas, puras ou que nunca erram. Isto não faz delas vilãs, mas cria um ponto de contato direto com a realidade da sociedade brasileira, em que as mulheres trabalham muito e, na maioria das vezes, muito mais que os homens. Me reconheço neste “DNA trabalhador”. Tenho 28 anos de carreira, e minha vida tem sentido pelo trabalho. A Adriana tem essa mesma vocação com a fisioterapia, de amar cuidar das pessoas. É uma personagem apaixonante. Me senti tocada por ela desde o início. A essência batalhadora de Adriana encontra eco na história da atriz, criada em uma família de professores que frequentavam sindicatos desde a infância dela. Leticia defende o fim da escala de trabalho 6x1, tema que está sendo debatido dervorosamente no país em 2026: — Cresci com meus pais trabalhando muitas horas para criar quatro filhos. Nunca tivemos assistência em casa, não tínhamos babá ou faxineira, então esta pauta já está internalizada em mim desde criança. Este formato atual é insustentável para nós como sociedade. A coisa tem que mudar e, idealmente, logo. Vivemos uma crise de saúde mental imensa, com pessoas ansiosas, deprimidas e com burnout por causa deste volume de trabalho e sem tempo para viver com qualidade, descansar, ver a família ou não fazer nada. Os grandes empresários dizem que vão perder, mas não dá para só a "ponta mais fraca" perder. Temos que pensar em uma mudança coletiva e social. Em breve, os telespectadores encontrarão uma faceta mais densa de Let em “Jogada de risco”. O projeto marca o reencontro em cena com Cauã Reymond, parceria que começou em "Malhação", em 2002: — Eu tinha 12 anos quando fiz o primeiro trabalho do Cauã na Globo. É muito especial reencontrá-lo agora, mais de 20 anos depois. Na série, a minha personagem, Rita, é a dona do business, uma mulher muito sensual e acostumada a guardar segredos, porque o que acontece entre quatro paredes no mundo do futebol precisa ficar ali. Ela protege a vida secreta dos jogadores e realiza os fetiches deles, mas sofre muito com o preconceito social por trabalhar com isso e carrega um drama profundo envolvendo o filho. É um papel bem forte. A dedicação à carreira de quase três décadas exige um manejo constante na rotina familiar. Mãe de Uri, de 6 anos, fruto do relacionamento com o ator e diretor Michel Melamed, de 50, a atriz tem uma rede de apoio que inclui os pais: — Sou uma mãe da presença, do toque, que gosta das coisas ordinárias da rotina, como ver se ele escovou os dentes e levar a toalha no banho. São detalhes bobos que dão contorno para a gente. É difícil não ver tudo o tempo todo, mas também é um exercício de deixá-lo ir para o mundo e criar laços com outras figuras da família e com os avós. Todo mundo sai ganhando nessa troca geracional, que funciona como um cultivo. Quando bate muita saudade, penso que isso enriquece o universo dele. Leticia se reconciliou com Melamed no início de 2026, após quase dois anos de separação. O casal se conheceu nos bastidores do programa dele no Canal Brasil, "Bipolar show", e ficou junto de 2015 a 2024. Com a confirmação da volta, o público comemorou: — Nós não ficamos teorizando sobre a reação das pessoas, mas ficamos felizes ao ver que o público torce por nós. Casamento é um desafio: tem a convivência excessiva, a rotina. Nós ainda passamos por uma pandemia. Nossa volta demorou um pouco. É muito humano se separar, repensar e, depois, voltar. Quando postamos uma foto e vemos os comentários de apoio, é muito legal, parece que nos encontramos também com o nosso lado imperfeito. O público nos viu nascer como casal na TV e celebra esse ponto de encontro com a realidade, que é imperfeita e bonita de testemunhar. Em casa, a veia artística dos pais dita o ritmo das brincadeiras de Uri. O menino não assiste às cenas da novela das 21h, e Leticia explica de forma lúdica que o choro em cena “é de mentirinha, a serviço da personagem”. Porém, o ambiente molda a rotina do pequeno: — O Michel é dramaturgo, diretor e ator. Nós brincamos muito com ele destas funções de forma lúdica. Brincamos de escrever roteiro, de fazer filme com o celular. O Uri gostava de um podcast infantil e queria mais episódios. Como não tinha, gravamos o nosso próprio. Nosso mundo e nossas brincadeiras passam pelas nossas habilidades. Michel Melamed e Letícia Colin — Foto: Asafe Ghalib Veja fotos exclusivas do casal Letícia Colin e Michel Melamed 1 de 9 Letícia Colin e Michel Melamed — Foto: Asafe Ghalib 2 de 9 A atriz Letícia Colin — Foto: Asafe Ghalib X de 9 Publicidade 9 fotos 3 de 9 Letícia Colin e Michel Melamed — Foto: Asafe Ghalib 4 de 9 Letícia Colin e Michel Melamed — Foto: Asafe Ghalib X de 9 Publicidade 5 de 9 Letícia Colin e Michel Melamed — Foto: Asafe Ghalib 6 de 9 A atriz Letícia Colin — Foto: Asafe Ghalib X de 9 Publicidade 7 de 9 Letícia Colin e Michel Melamed — Foto: Asafe Ghalib 8 de 9 Letícia Colin e Michel Melamed — Foto: Asafe Ghalib X de 9 Publicidade 9 de 9 A atriz Letícia Colin — Foto: Asafe Ghalib Casados há oito anos, estão em cartaz com a peça "Um filme argentino", e falam sobre amor e sexo: 'Estamos fazendo curso de massagem tântrica'